Vigotski – Pensamento e Linguagem

Pensamento e Linguagem.

 

Vigotski, em seu trabalho da obra intitulada “Pensamento e linguagem”, foca seus estudos na antiga problemática e abordagem do pensamento e da palavra, e em como solucionar os caminhos-sem-saída através de um novo método.

O pensador soviético inicia a problemática, neste caso, afirmando que é imprescindível deixar de lado a compreensão das relações interfuncionais do pensamento e da linguagem.

[Pois,] enquanto não compreendermos a inter-relação de pensamento e palavra, não poderemos responder, e nem mesmo colocar corretamente, qualquer uma das questões mais específicas da área.[1]

Já que, até sua época, esta área em específico não havia recebido a devida atenção. Todos trataram os processos psíquicos isoladamente através de métodos de análise atomísticos e funcionais, ignorando sua interdependência e sua organização na estrutura da consciência como um todo. Uma vez que, na antiga psicologia, era consenso que as relações entre duas funções determinadas nunca variava, elas foram reduzidas a um fator comum e sendo ignoradas.[2] Continuar lendo

Hafiz e Hazrat Unayat Khan – Deus Criou Mundo a Partir do Som

Hafiz 01

Hafiz, um dos grandes poetas da antiga Pérsia, conta a seguinte lenda: “Deus fez uma estátua de barro à sua própria imagem e quis que essa estátua possuísse alma. Mas a alma recusou-se a ser aprisionada, pois é de sua natureza ser livre e voar à vontade. A alma não quer estar presa, nem admite que lhe imponham limites. O corpo é uma prisão e a alma recusou-se a adentrá-lo. Então Deus pediu aos anjos que tocassem sua música. E, à medida que os anjos tocavam, a alma ficou extasiada. Para poder sentir melhor a música e ouvi-la de perto a alma entrou no corpo.” Hafiz disse: “As pessoas dizem que ao ouvir aquele som, a alma entrou no corpo; a verdade, porém é que a própria alma era o som.”

Hazrat Inayat Khan 03

Ao que o sufi Hazrat Unayat Khan comentou: “Essa é uma bela lenda, no entanto ainda maior é o seu mistério, o seu significado. A interpretação dessa lenda nos explica duas grandes leis. Uma delas é que a natureza da alma é ser livre e, para a alma, a tragédia da vida consiste na ausência dessa liberdade que pertence à sua natureza original. O outro significado dessa lenda nos mostra que a única razão pela qual a alma entrou no corpo de barro ou matéria inanimada foi experimentar e ouvir a música da vida.”

Sempre nos deparamos com o fato de que a linguagem “sabe” mais do que aqueles que a usam. As duas primeiras frases da lenda do sábio poeta Hafiz dizem:

“Deus fez uma estátua de barro.

ele formou o barro à sua semelhança.”

O escultor modela o barro e temos uma estátua. O músico forma a matéria e temos a música. Deus forma o barro e temos uma estátua. O músico forma a matéria e temos a música. Deus forma o barro e surge o mundo. Em cada momento o barro é a matéria-prima, o elemento-primevo, a matéria-primeva daquilo que denominamos criação: a tensão-primeva. No princípio, era o barro. O tom como lógos. Já falamos disso: o “faça-se” contido no início da história da criação judeu-cristã era, antes de tudo, tom e som. Os sufis, místicos do islamismo, sabem muito bem: Deus criou o mundo a partir do som.

 

BERENDT, Joachim-Ernst. Nada Brahma, A música e o universo da consciência. Editora Cultrix. pp.215-6