Francis Bacon – A formiga, a aranha e a abelha.

Bacon afirma que os que se dedicaram à ciência pensaram como formigas e aranhas.

“Os empiristas seguem o exemplo da formiga, amontoam os fatos e apenas usam a experiência adquirida”, ou seja, buscam conhecimento pela indução e simples enumeração. Já para os racionalistas, ou dogmáticos faz analogia à aranha que “de si mesmos extraem o que lhes serve para a teia”, sendo, este, o método dedutivo, “tecem quadros a partir da sua imaginação”, ou seja, o seu conhecimento não tem qualquer fundamento real.

“A abelha representa a posição intermediária: recolhe a matéria-prima das flores do jardim e do campo e com seus próprios recursos a transforma e digere. Não é diferente o labor da verdadeira filosofia, que se não serve unicamente das forças da mente, nem tampouco se limita ao material fornecido pela história natural ou pelas artes mecânicas, conservado intato na memória. Mas ele deve ser modificado e elaborado pelo intelecto. Por isso, muito se deve esperar da aliança estreita e sólida entre essas duas faculdades, a experimental e a racional.”

Assim, para ele devíamos seguir o modelo da abelha para obter conhecimento científico, pois a abelha “colhe o suco do seu mel nas flores dos campos… mas sabe, ao mesmo tempo, prepará-lo e o digerir com uma habilidade admirável”, ou seja, deveríamos colher o conhecimento da experiência e trabalhá-lo com a razão de modo a podermos chegar à verdade.

BACON, Francis. Novum organum, XCV.