Aquisição da Linguagem

Nas últimas décadas podemos encontrar varias teorias relativas à aquisição da linguagem. Enquanto uns defendem a idéia do inatismo, outros sustentam que a aquisição da linguagem ocorreu por imitação, ou ainda, devido ao contexto social em que está inserido. Será que o ser humano nasce com uma capacidade inata no cérebro para adquirir linguagem, da mesma forma como adquire o andar? Ou será que a aquisição da linguagem se desenvolve através de interações sociais de tipo estímulo – resposta?

Podemos definir a linguagem como sendo:

um sistema constituído por elementos que podem ser gestos, sinais, sons, símbolos ou palavras, que são usados para representar conceitos de comunicação, idéias, significados e pensamentos. Neste contexto, podemos então dizer, que esta capacidade verbal, ou não verbal, é um dos maiores atributos do homem que facilmente o distingue do animal.”

No primeiro capitulo do livro, Política, Aristóteles nos apresenta a linguagem como sendo um das características que diferencia o homem dos demais animais:

“o homem é por natureza uma animal social […] Como costumamos dizer, a natureza não faz nada sem um propósito, e o homem é o único entre os animais que tem o dom da fala. Na verdade, a simples voz pode indicar a dor e o prazer, os outros animais a possuem (sua natureza foi desenvolvida somente até o ponto de ter sensações do que é doloroso ou agradável e externá-las entre si), mas a fala tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo.”

Na Grécia já encontramos uma primeira divergência sobre o assunto: A linguagem é natural aos homens ou é uma convenção social?

“Se a linguagem é natural, as palavras possuem um sentido próprio e necessário; se for convencional, são decisões consensuais da sociedade e, nesse caso, são arbitrárias, isto é, a sociedade poderia ter escolhido outras palavras para designar as coisas.”

Nessa dimensão podemos trabalhar com duas concepções filosóficas que se preocuparam em explicar fatos lingüísticos. São elas: empirismo e o racionalismo.

Para os empiristas a linguagem é uma associação entre imagens corporais e mentais formadas por associação e repetição e que constitui em imagens verbais. Para os racionalistas, a capacidade para a linguagem é um fato do pensamento ou de nossa consciência.

Nas ultimas décadas os racionalistas (inatismo) derrubam completamente as teses dos empiristas (behavioristas), que dá papel preponderante ao meio para a aquisição da linguagem e, coloca-nos de frente a problemas filosóficos, psicológicos e lingüísticos que nos ajudarão a compreender melhor o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem.

Chomsky critica a explicação behaviorista para entender a aquisição da linguagem, alegando que ela é adquirida através das experiências empíricas, nos processos de estímulo – resposta, condicionamento, memorização e repetição. Por sua vez, acentua em seus trabalhos a criatividade e sua importância no comportamento humano, na qual se mostra claramente na linguagem.

De acordo com a Teoria Gerativa, proposta por Chomsky, a linguagem é uma característica inata e específica ao ser humano, assim uma das características exclusivas da nossa espécie é que todos nós temos inscritos em nosso código genético uma capacidade que nos permite adquirir e desenvolver a linguagem.

Para compararmos o processo inatista de aquisição da linguagem, Chomsky propõe uma metáfora chamada metáfora da fechadura.

“[…] cada criança nasceria com uma fechadura, pronta para receber uma chave; cada chave acionaria a aquisição de uma língua diferente, daí todas nascerem com a mesma capacidade e poderem adquirir as mais diferentes línguas.”

Na visão inatista propõe que o Homem “possui uma Gramática Universal[1] incorporada à própria estrutura de sua mente.”, isto é o Homem já nasce biologicamente (geneticamente) equipado com uma gramática onde se encontram todas as regras possíveis da todas as línguas, um enorme conteúdo de informações, isto é, uma gramática universal.

Assim, a linguagem é atrelada as características inerentes a espécie humana, o que reafirma seu caráter universal, tomando a linguagem como um fator biológico e cognitivo. Ao assumir essa postura admite-se que o ser humano por natureza é detentor de uma gramática universal que possui princípios universais que fazem parte da faculdade da linguagem e parâmetro que serão definidos pela influencia do meio e pela língua nativa.

Portanto, o inatismo elabora uma grande reflexão sobre o caráter inato da linguagem, leva em conta a criatividade criadora do Homem e sua capacidade de produzir infinitas sentenças na língua materna, mesmo não tendo ouvido ninguém falar desse ou daquele jeito antes.

Bibliografia

<!–[if supportFields]> BIBLIOGRAPHY <![endif]–>Aristóteles. Política. 3. Tradução: Mário da Gama KURY. Brasília: UNB, 1997.

CHAUI, Marilena. Convite a Filosofia. SP: Editora Ática, 1994.

<!–[if supportFields]><![endif]–>DEL RÉ, A. Aquisição da linguagem: uma abordagem psicolingüística. São Paulo: Contexto, 2006.


[1] Conjunto de regras, das quais o Homem irá selecionar as que serão empregadas para que possa efetivamente adquirir a linguagem que está submetida e excluir todas as demais.

Locke e a critica ao inatismo

John Locke nos apresenta em seu livro “Ensaio acerca do entendimento humano” uma critica à idéia de inatismo, conhecimento que precede a experiência, para Locke o conhecimento, de forma alguma, poderia preceder a experiência, a fonte de todo o conhecimento é a própria experiência, sendo que essa experiência pode ser externa(sensação) ou interna (reflexão). Para Locke a alma é um tabula rasa que aos poucos vai sendo preenchido pela experiência.

As experiências são de dois tipos, externas e internas; as experiência externa são as sensações que provem de objetos sensíveis externos; já a experiência interna são as operações internas do nosso espírito e os movimentos da nossa alma.

As idéias estão presente na mente do homem, porém para que isso aconteça fora há alguma coisa que tenha o poder de produzi-las na mente. O termo utilizado por Locke para esse poder é qualidades que são divididas em primaria e secundárias. As qualidades primárias se encontram nos próprios corpos (extensão, solidez, a figura, o numero) são qualidades objetivas. As qualidades secundárias, são as qualidades subjetivas (cor, sabor, odor e etc.).

“As qualidades primárias são qualidades dos próprios corpos, ao passo que as secundárias deriva do encontro dos objetos com o sujeito, mas tendo sempre as suas raízes no objeto” (REALE e ANTISERI 1990, 512)

As idéias se dividem em idéias simples e complexas, segundo Hessen:

“Os conteudos das experiencias são as idéias ou representações, algumas simples e outras complexas. Estas são formadas a parir de idéias simples. A essas idéias simpres pertencem as qualidades sensiveis primarias e secundárias. Uma idéia complexa é, por exemplo a idéia de uma coisa ou substancia.” (HESSEN 1999, 56)

Recebemos as idéias simples de forma passiva, mas após as idéias simples temos o poder de “operar de varios modos sobre elas”, realizando as combinações entre si, separanda-as, formando assim as idéias complexas que se distingue em tres grupos: Ideias de Modo, Idéias de substancia e idéias de relações.

Portanto para Locke a fonte de todo o conhecimento são as experiências, sendo assim as idéias nunca poderiam ser idéias a – priori e sim sempre serão posteriores há uma experiência, criticando assim o conceito de idéias inatas.