Resumo Tratado da Natureza Humana – David Hume

Um Tratado da Natureza Humana

David Hume

Resumo da Parte 3 do Livro 1 : “Do conhecimento e probabilidade” [1]

Ó Silvio S. Chibeni – 2004

Índice das seções:

1. Do conhecimento
2. Da probabilidade e da idéia de causa e efeito
3. Por que uma causa é sempre necessária
4. Das partes componentes de nossos raciocínios sobre causa e efeito
5. Das impressões dos sentidos e memória
6. Da inferência da idéia a partir da impressão
7. Da natureza da idéia de crença
8. Das causas de crença
9. Dos efeitos de outras relações e outros hábitos
10. Da influência da crença
11. Das probabilidades de acaso
12. Das probabilidades de causas
13. Da probabilidade não-filosófica
14. Da idéia de conexão necessária
15. Regras pelas quais se pode julgar acerca de causas e efeitos
16. Da razão dos animais
 

1. Do conhecimento.

[1] Hume enumera aqui sete tipos de relações filosóficas, divididas em dois grupos [cf. 1.1.1.5]:

a)     As que “dependem unicamente das idéias que comparamos”: semelhança, proporção em quantidade ou número, graus em qualquer qualidade e contrariedade.

b)     As que “podem ser mudadas sem nenhuma mudança nas idéias” relacionadas: identidade, relações de tempo e lugar, e causação.

[2] Somente as relações do primeiro tipo “podem ser objeto de conhecimento e certeza”; elas são o “fundamento da ciência” [1.3.2.1]. Das quatro, três “podem ser descobertas à primeira vista”, ou seja, intuitivamente: semelhança, graus em qualquer qualidade e contrariedade.

[3] Apenas as relações de proporção em quantidade ou número podem requerer demonstração.

[4] Quanto à geometria, nunca pode atingir perfeita precisão e exatidão, porque seus princípios se baseiam “na aparência geral dos objetos”, podendo haver aí alguma insegurança.

[5] As únicas disciplinas “científicas” são, pois, a aritmética e a álgebra; todas as demais caem no domínio da “probabilidade” [1.3.2].

[6] Apesar da incerteza, a geometria é útil, porque as aparências em que se baseiam seus princípios “são as mais fáceis e menos enganosas”. Há mais certeza nelas do que numa proposição complexa sobre um quiliágono, por exemplo. Continuar lendo

Hume e a Percepção

O que quer se apresente à mente, quer empreguemos nossos sentidos, sejamos movidos pela paixão, ou exercitemos nosso pensamento e reflexão, Hume chama de percepção.

Esta percepção Hume divide em duas espécies, a saber, impressões e idéias.

Quando sentimos qualquer tipo de paixão ou emoção, ou captamos as imagens de objetos externos trazidas por nossos sentidos, a percepção da mente é o que ele chama de impressão, palavra empregada em um novo sentido[…] As impressões são, portanto, nossas percepções vívidas e fortes”[1].

“Quando refletimos sobre uma paixão, ou um objeto que não está presente, esta percepção é uma idéia”[2], que é um percepção mais fraca.

E esta distinção de espécie quanto a percepção é algo que Hume diz ser evidente, tanto quanto entre sentir e pensar.

Quanto as impressões, Hume ainda diz que, ao contrario de Locke que abrange até as ‘impressões’, que Hume agora denota, como idéia inata e como não existente, as impressões como as mais fortes percepções são sim inatas. E que “a afeição natural, o amor da virtude, o ressentimento e todas as outras paixões, brotam imediatamente da natureza[3].

A grande descoberta que se propõe o autor de decidir as controvérsias concernentes às idéias é que as impressões sempre antecedem as idéias.


[1] HUME, David, Resumo de um tratado da natureza humana. Editora Paraula. P. 47

[2] HUME, David, Resumo de um tratado da natureza humana. Editora Paraula. P. 47

[3] HUME, David, Resumo de um tratado da natureza humana. Editora Paraula. P. 49