O Significado do Ser Cristão – Reflexão Sobre a Igreja Evangélica Brasileira.

cruz-salvacao

Meu escrito não pretende ser uma análise teológica do problema, pois eu mesmo não possuo o título e tampouco a competência do teólogo. Antes escrevo como um irmão que tem certa formação filosófica e que se sente tocado pela situação.
Tenho muitos amigos teólogos, dotados de sólida formação filosófica, destaco o pastor Luiz Sayão, o pastor Jonas Madureira e o estimado Ze’ev Hashalom, todos estes têm plena capacitação e absoluta competência para discorrer sobre o assunto proposto.
Desde já peço a estes meus amigos, e a outros não mencionados, que me perdoem a ousadia em escrever sobre este tema, estou certo que terão muitas objeções e correções a fazer, às quais eu aceito de boa mente, e que muito daquilo que têm escrito e pregado elucida a perplexidade de meu escrito.
Não quero cair nos lugares-comuns ao discorrer sobre a igreja e o ser cristão no Brasil, nesta discussão é habitual ouvir um dentre dois juízos sobre o “movimento evangélico brasileiro”1 , primeiro, que têm triunfado, penetrado nas diversas camadas da sociedade, os evangélicos se têm feito o mais influente fenômeno de massas do século XX, sua presença se faz sentir nos principais veículos midiáticos, além de se terem tornado uma das mais poderosas forças políticas do país! O segundo juízo é aquele que diz dos evangélicos que se encontram em franca crise, que o seu crescimento em números, poder e influência, não se faz acompanhar de amadurecimento espiritual e moral correspondente, que o intercambio com as estruturas deste mundo tem corrompido sua identidade, fazendo-lhe adotar valores, nem um pouco cristãos, que fomentam teologias e práxis sem qualquer relação com o evangelho! Sobre isso muito tem sido dito e escrito, no Brasil e no exterior.
Hank Hannegraff escreveu seu “Christianity in Crisis” (Harvest House Pub., 1993), que encontra seu correlato na obra do pastor Paulo Romeiro, “Evangélicos em Crise” (Mundo Cristão, 1997); podemos considerar que essas obras representam duas atitudes distintas acerca do objeto que se propõem a examinar, Hannegraff assume que a crise seja do cristianismo, enquanto Romeiro parece considerar que a crise seja dos evangélicos. Mais que um mero problema terminológico a diferença expressa um problema conceitual: falar de crise do cristianismo parece referir a um problema essencial, enquanto falar de crise dos evangélicos parece referir a um problema circunstancial.
Talvez o quadro circunstancial seja apenas o reflexo de uma crise mais profunda, ou seja, a crise dos evangélicos, talvez, reflita a crise pela qual passa o cristianismo, ou ainda todas as religiões. A crise do movimento evangélico se apresenta como a ponta do iceberg, cuja maior parte está submersa, oculta aos nossos olhos.
Mas este diagnóstico é ousado e muito difícil, portanto consideremos apenas e em principio o que seja a ‘crise’.
O que significa o cristianismo, e, o cristão, como realidades históricas, como fenômenos que podem numa determinada época entrar em crise?
No uso da palavra ‘crise’ importar lembrar que sua etimologia está ligada à palavra ‘crítica’, que se refere ao ‘juízo’, ao julgar, ao distinguir. Portanto, pode-se considerar que crise significa, sobretudo, um estado de desorientação. Estar ‘em crise’ é estar desorientado, é não saber como agir e principalmente não saber o que pensar; na crise os discursos e as práticas, com todas as idéias que os alimentam, exigem fundamentação.
A desorientação é a condição que se dispara a partir da percepção do enigma da situação plural em que se encontra o humano hodierno; a explosão tecnológica, a multifacetada gama de saberes e principalmente de informações a que estão expostas e das quais participam as pessoas, principalmente quando se faz necessário a tomada de decisão, de si, para si.
A desorientação a que nos referimos pode ser individual ou coletiva, temporária ou histórica, depende de sua abrangência e duração, se afeta uma pessoa, em particular, ou uma sociedade – ou certo segmento social –, se é momentânea ou se prolonga por período mais extenso, nesta acepção temos aquilo que se reconhece como crise, e, nas últimas circunstâncias, mais especificamente uma crise histórica.
Nesta crise o reconhecimento de si se obnubila e sem a certeza sobre o que pensar, o sujeito se põe as perguntas: O que se pode fazer? E o que se deve fazer?
O cristão coloca a pergunta sobre sua sobre si mesmo! Naturalmente ele já fazia isso antes, pois perguntar-se sobre si mesmo, assim como dar-se significado a si, são atividades intelectuais naturais da vida humana.
Entretanto, fora da crise, o mundo natural e o mundo histórico-social fornecem respostas “satisfatórias”, e, além disso, me dirá o fiel, o cristão pode contar com os múltiplos ‘elementos’ que compõem a crença religiosa, diferentemente da “crença social”, e que se pode resumir na palavra preciosa da religião: fé!
A fé substancia o próprio modo de ser do cristão, lhe enriquece o significado. Mas não a fé num corpo teórico-doutrinal, mas a fé que se sustenta na relação e no compromisso com uma pessoa, Jesus, chamando o Cristo!
O problema do significado do ser cristão não é um problema individual, embora se imponha a todo individuo que assim se considere, mas é, sobretudo, um problema relacional. Nas circunstâncias de crise o cristão se encontra envolvido imediatamente no modo de ser do não-cristão, daí o perigo da conformação ao padrão deste mundo, sobre a qual nos alerta São Paulo2 ; a desorientação do cristão acerca de si se constitui na desorientação do não-cristão acerca do cristão.
Essa situação, que é caracterizada por certa indistinção, faz com que a sociedade não-cristã não saiba como se haver com o cristão, ou, noutras palavras, não saiba reconhecer o que é propriamente cristão na miríade de representações que se pretendem cristãs.
Os dois juízos, previamente apresentados, são como conclusões da interpretação destas miríades de representações.
Se perguntarmos: o que é o cristão?
A resposta que obtemos é em si mesma uma interpretação. Pois, toda a realidade, ao menos para o fenômeno humano, é interpretada, então, o cristão tem de si uma ideia e o não-cristão tem do cristão, outra ideia, ambas resultam de interpretações diferentes. A crise histórica neste contexto expressa o problema mais agudo da relação de identidade entre representação e interpretação, pois afeta os dois termos em ambos os sujeitos.
A interpretação dos não-cristãos fundamenta-se, sobretudo, nos aspectos práticos – Jesus disse “dos frutos”3 – pelos quais o cristão se dá a conhecer.
Logo, temos dois elementos que constituem essa interpretação: o elemento vital e o elemento intelectual. Como vivem esses cristãos? Quais são os seus valores e práticas? Em que diferem de cada um de nós?
Estas questões recebem respostas na observação das representações cristãs, fornecidas pelo próprio cristianismo, principalmente na medida em que os cristãos assumem, cada vez mais, o domínio do universo tecnológico, do vídeo e das mídias digitais.
Uma “zapeada” pelos canais de televisão confirmam rapidamente a impressão que têm os não-cristãos acerca dos cristãos, de que estes se orientam pelos mesmos valores que eles, na maioria dos canais e programas evangélicos a ênfase é posta na cura física e na prosperidade expressa principalmente em riqueza e bênçãos materiais; não que haja algo errado com a prosperidade, até porque esta é uma palavra que abrange muitos significados, o que se considera errado é uma teologia e uma práxis cujo fulcro seja a prosperidade e não o Cristo. Os métodos empregados vão desde mensagens motivacionais até técnicas tomadas de psicoterapias de vários matizes, na melhor das hipóteses, mentiras, fraudes, charlatanismo e manipulação psicológica, nos piores casos. Portanto, os não-cristãos não vêem diferença entre os valores “evangélicos” e os seus, principalmente quando se analisa como ambos os segmentos valorizam a meritocracia, a competitividade, a produtividade, a eficiência e os resultados imediatos, e, isso a qualquer custo.
Todo esse arcabouço de informações acerca dos cristãos, disponibilizadas pelos próprios, se constitui no substrato para o elemento intelectual que constrói a interpretação que a sociedade não cristã tem dos cristãos.
Nesta situação o cristão tem de enfrentar um duplo desafio se quiser realmente expressar o significado do ser cristão.
Buscar no passado o significado originário de seu ser, e, traduzir em novas categorias este significado, sem perder o núcleo essencial de sua confissão, de modo a falar aos corações e às mentes de seus interlocutores, não se trata de resignificar o ser cristão, como querem alguns, mas sim, do resgate ao seu significado evangélico.
A tarefa parece fácil, mas implica grandes dificuldades: Qual é a referência do ser cristão que deve ser perseguida? Em qual época pode ser encontrada?
Se o ser cristão é uma realidade histórica, é também mutável e principalmente adstrita ou determinada por razões histórico-sociais. Talvez, alguns possam dizer: “– Basta que tomemos os exemplos bíblicos!”
Não negamos a necessidade e a importância destes exemplos, porém talvez tenhamos que tê-los mais especificamente como espécies “tipos”4, que necessitam da realização em cada cristão, em cada época . A igreja cristã no século I foi uma realidade histórica embrionária, ela passou por intensas transformações ainda em seu tempo. Uma foi a igreja do século III e outra a igreja medieval, ainda que nestes períodos houvesse vários tipos de cristãos.
Reflito muito sobre as palavras de Tillich, que me parecem muito sóbrias, em relação às pretensões do moderno fundamentalismo evangélico, segundo ele, o fundamentalismo fracassa ao tentar contactar a situação presente por falar desde uma situação passada, absolutizando aquilo que é, e deve ser relativo. A historicidade do cristianismo exige essa relativização, exige a consideração das múltiplas possibilidades do ser cristão ainda dentro de um mesmo período histórico.
Pensemos na consideração do fundamentalismo. Eles consideram o cristianismo medieval pouquíssimo cristão, comparando-o com sua própria experiência de ser cristão. Mas, será que os cristãos medievais achavam sua situação espiritual tão decadente?
Talvez alguns sim, e outros não – como ocorre hoje.
Porque a própria ideia do ser cristão, apesar de gravitar em torno de uma confissão fundamental transforma-se de acordo com as circunstâncias, às quais tende a transcender.
Ousaríamos dizer que houve épocas mais ou menos cristãs que a nossa?
Sem dúvida juízos semelhantes têm sido pronunciados, porém fundamentados mais nas preferências daqueles que os proferem que em qualquer demonstração.
Portanto, cabe aos cristãos o reconhecimento da validade significativa de sua própria época, pois cada época tem sua validade, a lógica própria de sua historicidade, e, a partir desta lógica re-fundar o significado do ser cristão, tendo como centro a confissão de Cristo, Salvador e Senhor da humanidade e de todo o cosmos.
Essa tarefa visa o resgate do significado do ser cristão, lógico que na consecução de tal tarefa não pode se eximir de investigar na biografia histórica do cristianismo qual seja sua identidade, todavia a investigação não pode deter-se na retrospectiva, até os nossos dias, antes deve ser prospectiva, porque o ser cristão, assim como o fenômeno humano, é futuriço, está projetado para o futuro, o que Cristo fez de nós é a realidade futura que em nós se antecipa – sobre essa tensão escatológica os teólogos têm muito a nos ensinar, mais do que seriamos capazes – o ‘novo homem’ que já está presente em nós há de revelar plenamente na Sua vinda!

Notas.

[1] Assumimos aqui o ponto de vista de que se pode falar em ‘movimento evangélico’ como que fala de um fenômeno homogêneo, embora reconheça que isso é uma generalização que simplifica em muito algo que é deveras multifacetado.

[2] Rom. 12,2.

[3] Mt. 7, 16-23.

[4] Dizemos tipos pensando que nossa vivência em Cristo, precisa ir além daquela de nossos antepassados, como primeiras comunidades cristãs temos que considerar que eles tiveram que aprender muito em suas vivências e que nós temos que aprender com seus erros e acertos, evitando os primeiros e seguindo os últimos.

O Paradigma da Confissão Cristã – Breves Considerações Exegéticas.

 

Carlos Eduardo Bernardo.

E, chegando Jesus às partes da Cesárea de Filipo, interrogou os seus discípulos dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?

E ele disseram: Uns João Batista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos profetas.

Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?

E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo.

E Jesus, respondendo, disse: Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.

Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e aas portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Mosteiro Ortodoxo de Meteora (Grécia)
Bela imagem de “sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.

E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo que desligares ma na terra será desligado nos céus.

Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Cristo.

(Mt. 16, 13-20[1])

            Temos nesta passagem a famosa confissão de S. Pedro, o apóstolo, que pode ser considerada como o paradigma da confissão de todo cristão, afinal, como foi dito em outra parte, somente pela ação do Espírito aqueles que estão em Cristo podem confessá-lo como Senhor.

1º – Possíveis Motivos Para a Escolha do Cenário.

O fato que a narrativa desta passagem ocorra na região de Cesárea de Filipo é paradigmático, esta era uma região fronteiriça localizada ao norte da Terra Santa, ao pé do monte Hebron, lugar onde, Jesus apareceria transfigurado (17,1-2). Esta cidade fora na Antiguidade centro de adoração do paganismo, reformada pelo tetrarca Filipo, recebeu o nome de Cesárea em honra do imperador, segundo o historiador hebreu Flavio Josefo (Ant.18,2-1). A distância de Jerusalém e do Templo dificultava a penetração da atmosfera da religião judaica nos corações humanos e tornava muito difícil o reconhecimento da messianidade de Jesus. Talvez, seja este um dos principais motivos para que esta região tenha sido escolhida para a revelação do Messias e do caráter de sua comunidade, a ekklesía (gr.ekkhlhsia

 

 

 

2º – A Natureza da Pergunta.

Jesus pergunta: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? (v.13) […] E vós, quem dizeis que eu sou? (v.15)

Poderíamos considerar que estas perguntas têm, no mínimo, dupla função: reafirmar a fé dos discípulos no status messiânico e divino – o que é menos evidente – e anunciar-lhes um primeiro esboço do caráter de Sua comunidade de seguidores: aquele caráter de terem sido chamados “para fora de” uma determinada ordem, o que está presente já no modelo escolhido por Jesus, ekklesía,formado por ek, para fora de, + klesis, chamado (kaleõ, chamar).

A ekklesía era uma “instituição” comum no mundo grego, designava um corpo de cidadãos reunidos, geralmente, na praça (gr. àgora) para discutir assuntos do Estado.

Jesus faz uso de uma palavra, um conceito, uma imagem comum no mundo jurídico da Antigüidade, mas essa é apenas uma dentre as imagens possíveis para o conjunto de fiéis, e, não a única. S. Paulo usará outras: corpo, lavoura e edifício; S. Pedro dirá casa espiritual e sacerdócio santo.

3º – Por que Prevaleceu o Uso Desta Imagem?

Podemos apresentar algumas razões para que esta imagem, porém as mais evocadas, consideradas as mais fortes são as seguintes:

(1º) Porque esta imagem foi proferida pelo próprio Senhor, Jesus.

(2º) Porque na versão grega da Torah, a Septuaginta, a palavra ekklesía é a mais usada para traduzir a palavra hebraica gahal (palavra que tem o sentido de assembleia, congregação e mesmo multidão).

(3º) Porque amplos processos histórico-sociológicos imbricados na latinização do mundo antigo contribuíram para a fixação de palavra igreja como veículo “oficial” do sentido e do significado do que seja a comunidade dos cristãos.

Estes três motivos são dignos de aceitação e carregam em si mesmos a justificativa plausível para a prevalência desta imagem. Todavia, ousamos apresentar algumas considerações críticas aos mesmos:

(1º) O Senhor, Jesus, também se referiu aos seus discípulos usando outras imagens, como rebanho (gr. poimnh, poimne) e noiva (gr.numφh, ninfe) e estas palavras suficientes significativas no grego e noutras línguas para servirem de referência a comunidades dos crentes.

(2º) O uso de ekklesía na Septuaginta é um compreensível fenômeno lingüístico, dada à necessidade de condução do sentido de uma língua à outra, de uma cultura à outra, todavia a polissemia da palavra hebraica exige a consideração contextual em que se use seu “equivalente” na língua grega; não sacraliza o termo e tampouco confere exclusividade na expressão da intenção à que se refere.

(3º) A partir do IV século é deflagrado o processo de cristianização do mundo antigo. O Ocidente se tornará cristão através de longo desenvolvimento histórico-sociológico – e teológico –, sob o modelo administrativo de Roma,a Igreja, agora nomenclatura de uma instituição monolítica e centralizada, imprimirá de modo indelével na consciência religiosa ocidental a justificativa da singularidade de seu título, não apenas isso, mas de seu próprio estatuto enquanto agência exclusiva da salvação divina para a humanidade.

Essa imanência da comunidade dos que crêem em Jesus na história faz da igreja uma comunidade histórica, marcada por idas e vindas, por atropelos e avanços, mas ainda uma comunidade de homens. A ekklesía grega era uma comunidade de homens que tinham um objetivo comum, isso não exclui, no uso cristão, a relação analógica com outros modelos. Aliado ao processo levado em efeito pela Igreja Católica possibilitou relacionar a palavra com o local de reunião e posteriormente com alguma personagem eminente ou concepção teológica peculiar, daí as diversas denominações cristãs comuns em nossos dias.

 4º – Jesus Domina Sobre a Ekklesía.

Jesus afirmou Sua soberania sobre aqueles que crêem Nele, aqueles que O confessam. Daí fazer parte da característica essencial dos fiéis confessá-lo não apenas como Salvador, o que Ele realmente é, mas também – e ouso dizer principalmente – como Senhor.

Ele diz: “minha ekklesía” (v.18), a igreja é apenas de Cristo, Jesus. Todo uso desta palavra com adjetivos é extra-bíblico, não significa isso que seja, de todo, incorreto, mas seu uso deve ser contextualizado. Isso porque temos a tendência em considerar o grupo ao qual nos afiliamos, enquanto cristãos, como único detentor do caráter essencial de ekklesía, e, por vezes, fortalecemos certo sectarismo que prejudica nossa visão orgânica da comunidade dos crentes.

 

 

5º – As Hipóteses “Das Chaves” (v.19).

Duas leituras não-católicas têm sido consideradas ao longo da história do Cristianismo:

(1ª) Admite a outorga das chaves apenas a S. Pedro, crendo terem sido duas estas chaves, segundo esta interpretação o apóstolo usou a primeira chave no Dia de Pentecostes, para introduzir os judeus no Reino dos Céus, e, a segunda chave fora usada na casa de Cornélio para abrir o Reino dos Céus aos gentios.

(2ª) Contempla a outorga das chaves a S. Pedro como paradigma da autoridade dada a todo aquele que crê em Jesus (18,18), pois todo aquele que proclama o Evangelho “abre as portas dos céus” pelo poder de salvação da própria mensagem (Rm.1,16).

6º – Instruções do Ocultamento.

 Perguntamo-nos, por que Jesus instruiu os discípulos a que não revelassem ser Ele o Cristo?

Muito provavelmente porque as circunstâncias favoreceriam as expectativas equivocados dos judeus acerca do Messias, expectativas relativas à instauração de um reino terreno em que os dominadores de Israel seriam esmagados.

Mas, podemos especular que essa instrução tenha como objetivo, também, permitir que aqueles que fossem “tocados” pela palavra e ministério de Jesus chegassem ao entendimento deste mistério. Este entendimento seria a própria experiência da verdade, e, não seria transmissível, é fruto de uma espontaneidade que é a marca da ação da Graça.


[1] Textos paralelos: Mc. 8,27-33 & Lc. 9,18-22.

ZEITGEIST I – O FILME

ZEITGEIST, ou espírito do tempo em alemão, é um documentário de 2007 lançado na intenet de 116 min, produzido por Peter Joseph, que procura mostrar verdades e mentiras, neste filme especificamente sobre religião, política, 11 de Setembro e as guerras causadas pelos E.U.A. . Explana sobre uma nova filosofia que envolve desde economia, espiritualidade, a meio ambiente, pois, como mostrará, estão mais interligados do que parecem e teoriza uma conspiração que age através deles. Mas o vídeo dirá por si.

Endereço do vídeo:

http://video.google.com/videoplay?docid=-2282183016528882906&ei=Kw9NSb-aIZKwqwK__fzuCw&q=Zeitgeist+-+The+Movie+portu

Estrutura do filme

Primeira Parte: The Greatest Story Ever Told (A maior história alguma vez contada)

A primeira parte do filme é uma avaliação crítica do cristianismo. O filme sugere que Jesus seja um híbrido literário e astrológico e que a bíblia trata de uma miscelânea de histórias baseadas em princípios astrológicos pertencentes a civilizações antigas (Egito, especialmente). A atenção do filme se foca inicialmente no movimento do Sol e das estrelas, fato este que é uma das características das religiões “pagãs” (pré-cristãs). É então apresentada uma série de semelhanças entre a história de Cristo e a de Hórus, o “deus Sol” egípcio que partilha de todos os predicados do messias cristão. Há referência sobre o papel de Constantino na formação da Igreja e seus dogmas.

Segunda Parte: All The World’s a Stage (O mundo inteiro é um palco) 40 min: 30 seg

A segunda parte do filme foca-se nos ataques de 11 de setembro de 2001. O filme sugere que o governo dos Estados Unidos tinha conhecimento destes ataques e que a queda do World Trade Center foi uma demolição controlada pelo próprio Governo norte-americano. O filme assegura que a NORAD, entidade responsável pela defesa aérea dos Estados Unidos, tinha sido propositadamente baralhada no dia dos ataques com exercícios simulados em que os Estados Unidos estavam a ser atacados por aviões seqüestrados, justamente na mesma área dos reais ataques; mostra dezenas de testemunhas e reportagems que sugere que as torres ruiram não por causa dos aviões, mas por explosões internas e sabotagem; demonstra as ligações entre a família Bush e a família Bin Laden, parceiros comerciais de longa data, entre outras teorias intrigantes e alarmantes acerca da política mundial atual.

Terceira Parte: Don’t Mind The Men Behind The Curtain (Não liguem aos homems por detrás da cortina) 1h:14min

A terceira parte do filme focaliza-se no sistema bancário mundial, que supostamente tem estado nas mãos de uma elite de famílias burguesas que detém o verdadeiro poder sobre todos os países a eles associados, e na sua conspiração para obter um domínio mundial total eles tem modelado toda a mídia e cometido diversos crimes, muitos deles encenações para fins ocultos. O filme denuncia que a Reserva Federal dos Estados Unidos da América foi criada para roubar a riqueza dos Estados Unidos e também demonstra, como exemplo, o lucro que foi obtido pelos bancos durante a Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Guerra do Vietnã, Iraque, Afeganistão, e a futura invasão à Venezuela para obtenção de petróleo e comércio de armamento. O filme descreve a conspiração destes banqueiros, argumentando que o objetivo deles é o controle sobre toda a raça humana através da implantação de um chip localizador e identificador através do qual todas as operações e interações humanas serão realizadas, escravizando por fim a humanidade. Estão secretamente criando um governo unificado, com exército unificado, moeda unificada, e poder unificado, e que servirá apenas aos interesses dessa elite. Segundo o filme, o aspecto mais impressionante disso tudo é que tais mudanças serão aceitas pelo próprio povo naturalmente, pois está sendo manipulado pela mídia.