Resumo da Obra Fédon de Platão.

Resumo da Obra Fédon de Platão.

Por: André Luiz Avelino

Graduando em Filosofia – FFLCH – USP

Objetivo da Filosofia.

A tarefa do filosofo é a busca da verdade, e esta implica na libertação progressiva de toda a materialidade. O filosofo não deve temer a morte, já que esta lhe permite alcançar toda a verdade. A vida do filosofo é a busca do desprendimento total do corpo, pois este constitui um obstáculo ao conhecimento, dado que o filosofar consiste em desprender a alma dos impulsos e desejos do corpo; O conhecimento das coisas em si não se alcança pela percepção sensível, e sim pelo pensamento; O conhecimento total da verdade só se da após a vida, quando a divindade nos liberta do corpo, e em vida o conhecimento só é possível abstendo-se de todo o comércio com o corpo; O filosofo aspira libertar a alma do corpo e sua tarefa é operar esta libertação. Sendo assim, seria absurdo que o filosofo se indignasse na hora da morte. No entanto, é ilegítimo o desejo do suicídio, pois os homens pertencem aos Deuses. Ninguém deve partir da vida sem ser forçado pela divindade.

A causa da ilegitimidade do suicídio e o objeto da filosofia implicam na natureza simples da alma – para que esta possua identidade com as essências -, na sua preexistência à vida e na sua imortalidade.

Argumentos à imortalidade, à preexistência, e à natureza simples da alma.

Teoria dos Contrários – A lei geral da natureza (Devir  Heraclitiano) mostra que todo o contrário surge do seu contrário: o feio do belo, o pequeno do grande, etc.; Assim a morte nasce da vida e a vida desta, caso contrario, não sendo desta maneira, haveria uma negação da lei geral da natureza. Se assim não fosse, o universo imobilizar-se-ia. Então, os vivos nascem dos mortos, e vice e versa; e, para isso as almas devem preexistir em algum lugar antes de regressarem à vida. A alma é princípio de vida.

Teoria das Reminiscências – Pelos sentidos observa-se a existência de coisas, mas que, no entanto, não são perfeitas como a noção que temos delas; As coisas não são perfeitas como suas ideias. A alma como pensamento identifica-se com as ideias imutáveis e imperecíveis. Admite-se que a alma contemplou as essências numa outra vida ideal (Topos Uranos), e que, depois de sua ligação ao corpo, é necessário recordar o que se encontra num estado latente – Conhecer é recordar; Para lembrar-se de algo é necessário que se tenha sabido no passado. A percepção sensível de um objeto nunca coincide com idéia pura. A idéia é anterior, portanto, não deriva do objeto, e sim, esses apenas a despertam, mas, não as geram; A realidade sensível desperta a realidades inteligíveis que foram contempladas no mundo ideal, antes da ligação da alma com o corpo. Continuar lendo

Pitágoras

 Pitágoras recomendando o vegetarianismo

Na Antiguidade, Pitágoras dividiu com Tales o crédito pela introdução da filosofia no mundo grego. Nascido em Samos, um ilha da costa da Ásia Menor, por volta de 570 a. C., ao quarenta anos emigrou para Crotona, no extremo da Itália, onde teve papel destacado na vida política da cidade até ser banido em meio a uma violenta revolução por volta de 510 a. C. Mudou-se para uma localidade vizinha a Metaponto, onde morreu na virada do século. No período em que viveu em Crotona, Pitágoras fundou uma comunidade semi-religiosa que sobreviveu a seu fundador e se dispersou por volta de 450 a. C. Atribui-se a ele a invenção da palavra “filósofo”, na ocasião em que, em vez de declarar-se um sábio, ou homem de saber (sophos), ele disse com modéstia ser apenas um amante da sabedoria (philosophos) (DL 8,8). Os detalhes sobre sua vida estão submersos em lendas, mas não restam dúvidas sobre ter ele sido um praticante tanto da matemática como do misticismo.  Nestes dois campos sua influência intelectual, reconhecida ou implícita, foi forte durante a Antiguidade, de Platão a Porfírio.

A descoberta dos pitagóricos de que havia uma relação entre os intervalo musicais e as razões numéricas resultou na crença de que o estudo da matemática era a chave para o entendimento da estrutura e da ordem do universo. A astronomia e a harmonia, diziam, eram ciências irmãs, uma para os olhos e a outra para os ouvidos (Platão, Rep. 530d). Contudo, apenas dois mil anos depois Galileu e seus seguidores demonstraram em que sentido era verdade que o livro do universo é escrito em números. No mundo antigo a aritmética estava por demais vinculada á numerologia para que pudesse promover o progresso científico, e os autênticos avanços científicos do período ( como a zoologia de Aristóteles ou a medicina de Galeno) foram conquistados sem o concurso da matemática.

A comunidade de Pitágoras em Crotona foi o protótipo de muitas instituições similares: a ela seguiu-se a Academia de Platão, o Liceu de Aristóteles, o Jardim de Epicuro e muitas outras. Algumas dessas comunidades eram instituições legais, outras menos formais; algumas se assemelhavam a um moderno instituto de pesquisas, outras eram mais próximas de mosteiros. Os seguidores de Pitágoras dividiam sua propriedade e viviam sob a égide de regras ascéticas e cerimoniais, como manter o silêncio, não partir o pão, não recolher os farelos, não atiçar o fogo com uma espada, calçar sempre o pé direito antes do esquerdo, e assim por diante. Os pitagóricos não eram, para início de conversa, vegetarianos radicais, embora evitassem certos tipos de carne, peixe e aves. A mais conhecida de suas restrições era a proibição de comer feijão (KRS 271-2, 275-6).

As regras relativas à dieta eram atribuídas às crenças de Pitágoras sobre a alma, que, segundo ele, não morria com o corpo, mas migrava para algum outro lugar, talvez um animal de uma outra espécie. Alguns pitagóricos desenvolveram essa regra transformando-a na crença em um ciclo cósmico de três mil anos: uma alma humana, apos a morte (do corpo), entraria, morte apos morte, em todo tipo de criatura da terra, do mar ou do ar, para finalmente retornar a um corpo humano a fim de que o ciclo tornasse a se repetir (Heródoto 2, 123; KRS 285). Em relação a Pitágoras, contudo, seus seguidores acreditavam que ele se tornara um deus apos morrer. Escreveram a seu respeito biografias repletas de maravilhas, atribuindo a ele uma segunda visão e o dom da bilocação; diziam que tinha uma coxa de ouro e era filho de Apolo. Numa feição mais prosaica, a expressão Ipse dixit ( ele próprio disse ) teria sido concebida em sua homenagem.

 

KENNY, Anthony. Uma Nova História da Filosofia Ocidental. Volume I. Filosofia Antiga. Edições Loyola. PP. 31-33

Confúcio: O cavalheiro ideal

Esta estrela maior, apoiada em arraigados e definitivos valores morais, bem acima dos demais, pela fortaleza das suas qualidades, fazia com que todo o restante celestial lhe prestasse vassalagem. Este príncipe, porém, não era alguém que recebesse a posição por imposição da hereditariedade dinástica. O trono não lhe chegava pela herança paterna mas era alcançado por suas magnificas virtudes. Para recuperar a antiga harmonia era preciso faz surgir uma nova espécie de dirigente, o junzi, o cavalheiro. Este era o tipo ideal do Grande Mestre, alguém educado nas excelências maiores, um produto da ética e do livro e não da espada e do sangue. Contribuiu assim Confúcio para que depois, ao largo de dois mil anos de história chinesa, a elite dirigente do país –os mandarins – fosse escolhida por meio de concursos públicos abertos a todos que se sentissem habilitados, fazendo com que antiga nobreza dirigente fosse substituída por uma casta de letrados, selecionados por meio de exames regulares (*)

(*) Acredita-se que Confúcio tenha sido o porta-voz dos shi, um grupo de intelectuais e seus discípulos que reivindicava um espaço especial na ordem feudal vigente, pleiteando uma posição relevante devido a sua cultura superior e dedicação aos estudos. Algo equivalente ao papel da intelligentsia na Rússia czarista do século 19, mas de maior ambição do que os scholars na sociedade anglo-saxã de hoje..

O segredo das relações sociais

Enquanto o príncipe mantinha-se como se fora a Estrela Polar – um seguro ponto referencial no firmamento – os outros, os comuns, obrigavam-se a manter-se respeitosos as cinco relações sociais: a que o soberano mantém com o súdito; a estabelecida entre pai e o filho; a existente entre o irmão maior e o irmão menor; a entre o marido e a mulher; e, por fim, a que um amigo devota ao amigo. Violá-las ofende o Decreto do Céu, provocando assim a licença e a desordem. Por tanto, a primeira e principal tarefa do sábio, deste homem superior, é tomar conhecimento da vontade celeste. É saber auscultá-la, entender suas diretrizes e determinações. Havendo harmonia nas alturas era de se esperar vê-la reproduzida na sociedade. O sábio é, pois, um demiurgo, o que faz a ligação das coisas do céu, divinas, com o que se passa ao redor dele, procurando ilustrar o principe e os dirigentes nos ensinamentos superiores. Ensiná-los e aos seus discípulos qual é o verdadeiro Tao , o Caminho, para que eles não despendam seu tempo em veredas erráticas, desviantes daquilo que o Senhor das Alturas, previamente, traçou para eles. Tal é a sua missão. A desordem , os tumultos e desacertos, resultavam desse desconhecimento, dos homens não saberem em que porto ancorar, em que lugar da sociedade é melhor situar-se para poder obrar em função do todo, da família e da sociedade.

Conhecimento e harmonia

Se o sábio fazia as vezes de intermediário entre o Céu e a Terra, instruindo o principe na sua tarefa sagrada, cabia a este dar aos súditos o sentimento dos seus respectivos deveres para despertar-lhes o espirito e a sabedoria. O principe tinha que ser principe, o ministro, ministro, e assim por diante, bem definidas as funções hierárquicas, marcados os ritos, qualquer desvio disso era perigoso, nocivo, visto que confundia os súditos, introduzindo à desconfiança e à desordem no reino. Desta maneira, se um governante ou um seu funcionário locupleta-se com os recursos públicos, botando a mão no tesouro do estado para seu próprio beneficio, deve esperar-se que o mesmo ocorra entre a gente comum, entre os governados. E, ao contrário, se ele mostra-se íntegro, ajuizado e responsável com os gastos públicos, todos o seguirão em parcimônia e correção. Para alcançar isso era preciso, insistiu Confúcio, conhecer o funcionamento da natureza das coisas com o fim de obrar (yi) em qualquer situação e compreender a significação íntimas dos ritos (li). Diríamos hoje conhecer a psicologia e o caráter dos homens. Hierarquia e o Respeito são, pois, os pilares do bom governo, aquilo que dá sustentação a Harmonia. Os súditos, por sua vez, além de manterem-se obedientes às cinco relações sociais, devem ser ensinados no tchon , a retidão, para que possam praticar o chu, o altruísmo.

Texto Retirado de:

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/politica/2002/11/25/000.htm

Resumo da “Poética” – I – Poesia é imitação. Espécies de poesia imitativa, classificadas segundo o meio da imitação.

aristoteles-07

“Falemos da poesia – dela mesma e das suas espécies, da efetividade de cada uma delas, da composição que se deve dar aos mitos, se quisermos que o poema resulte perfeito, e, ainda, de quantos e quais os elementos de cada espécie e, semelhantemente, de tudo quando pertence a esta indagação – começando, como é natural, pelas primeiras coisas.” ARISTÓTELES. Poética. Coleção Os Pensadores. Abril Cultural. 1973. Pp 443

O que em geral são imitações.

  • · Epopéia
  • · Tragédia
  • · Poesia ditirâmbica
  • · Aulética (em maior parte)
  • · Citarística (em maior parte)

Diferem-se em 3 aspectos.

  • · Ou porque imitam meios diversos
  • · Ou porque imitam objetos diversos
  • · Ou porque imitam modos diversos

Todas elas imitam usando estes elementos separada ou conjuntamente.

  • · Ritmo
  • · Linguagem
  • · Harmonia

“Ajuntando à palavra poeta o nome de uma certa métrica, aconteceu denominarem-se a uns de ‘poetas elegíacos’, a outros de ‘poetas épicos’, designando-se assim, não pela imitação praticada, mas unicamente pelo metro usado.” ARISTÓTELES. Poética. Coleção Os Pensadores. Abril Cultural. 1973. Pp 443

Ou seja, Homero, o poeta ou Empédocles, o fisiólogo por terem a mesma métrica serão vulgarmente chamados de poetas. Mesmo que nada tenham em comum na temática.

Poesias há, contudo, que usam de todos os meios sobreditos; isto é, de

· Ritmo

· Canto

· Metro

Como a poesia dos ditirambos e dos nomos, a tragédia e a comédia – só com uma diferença: as duas primeiras servem-se juntamente dos três meios, e as outras, de cada um por sua vez.” ARISTÓTELES. Poética. Coleção Os Pensadores. Abril Cultural. 1973. Pp 444

Tais são as diferenças do meio de imitação.

Como conseguir ter uma cidade Justa?

“A cidade justa é aquela onde o filosofo governa, o militar defende e a econômica provêem da sociedade. O estado possui 4 virtudes cívicas, três representada pelas classes – temperança, coragem, prudência – e a quarta, e a mais importante, depende das 3 classes: a justiça (harmonia e hierarquia das funções). A razão que governa.” (CHAUI, Marilena. Introdução a história da filosofia. São Paulo: Cia das Letras,2002. p309)
Assim para Platão cada Classe terá que cumprir seu papel, entendendo que se houver um embaralhamento entre os papeis, a cidade jamais conseguiria ser justa. Assim como a Democracia, onde todos podem interferir na política da polis independente de sua classe. Para Platão a democracia, tem como essência a injustiça.