Mini-curso online de Filosofia Moderna (Gratuito)

Segunda-feira, dia 22 de maio de 2015, o professor Lúcio Prado dará um mini-curso sobre filosofia moderna, de Descartes a Kant, ao vivo, para todos os interessados. O curso será gratuito.
Lúcio Prado possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1994), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998) e doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006). Atualmente é professor assistente doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, atuando nas áreas de História da Filosofia Moderna e Filosofia da Linguagem. Link para o Lattes:  http://lattes.cnpq.br/6780091892383853

O curso será ministrado via youtube, com interação via chat.
Para mais informações e atualizações, confirmem presença no evento do facebook e acessem a página oficial do grupo no facebook.

É imprescindível que os interessados em assistir o curso enviem pedido para entrar na página do grupo! É lá que as discussões e os links do curso serão disponibilizados!

https://www.facebook.com/events/1579410512317642/  (página do evento)
https://www.facebook.com/groups/1582235232031165/?__mref=message_bubble (página do grupo, com as infos atualizadas)
Recomendadíssimo.

Eis uma apresentação do curso pelo próprio Lucio Prado:

“O Problema da Crítica da Razão Pura”

Introdução

A nossa proposta ao realizar este trabalho, não se fundamenta, e tampouco procura identificar qual é a resposta definitiva de Kant em relação ao problema proposto em sua Crítica da razão pura. Nosso intuito consiste em identificar a pergunta de Kant, e seus pressupostos, tendo em vista a construção necessária do solo conceitual em que o autor estava inserido. Buscar o contexto histórico-filosófico e a influência que as ciências da época tiveram sobre o pensamento Kantiano é fundamental para a compreensão desta obra, que sem a identificação de seus pressupostos, se tornaria ininteligível.

O problema da Crítica da razão pura”

Kant, para escrever essa obra, parte de um conceito fundamental e patente em toda a sua crítica, o conceito de ciência. Na primeira metade do século XVIII, as físicas de Descartes e de Leibniz, conflitavam entre si, e nenhuma delas se sobrepujava sobre a outra. Com os estudos de Isaac Newton, e a inauguração de seu sistema sobre a física, Kant adere gradualmente a concepção mecânica de Newton, que ao seu ver é o exemplo de ciência verdadeira (a geometria de Euclides também). Ora, a metafísica também se propõe como uma ciência, e os racionalistas dogmáticos defendem a idéia de que a metafísica é sim possível como ciência. Está aí o problema crucial para Kant.

O conceito de ciência, que Leibniz e Descartes herdaram da antiguidade, e que Kant também adere, é de que conhecimento científico é universal e necessário.

Todo o conhecimento científico, universal e necessário, deve ser fundamentado sobre conhecimentos à priori. Na filosofia de Kant, vemos que existem dois tipos de conhecimentos: à priori e à posteriori, ou empíricos. Conhecimento à priori, é um conhecimento que não se funda logicamente na experiência. Conhecimento empírico (à posteriori) é aquele conhecimento cuja fundamentação está nos próprios sentidos, contudo, o conhecimento empírico não pode fundamentar um conhecimento que se propõe ser universal e necessário, pois a experiência se reduz a ações e fatos particulares, sendo impossível e irracional o salto do particular para o universalmente necessário. A mecânica de Newton “é algo mais que uma mera generalização de dados empíricos ou uma descrição matemática feliz e conveniente dos fenômenos que poderia eventualmente, ser corrigida no futuro.”1

Mas se então, a ciência não pode se fundamentar sobre dados meramente empíricos, deve se fundamentar sobre dados à priori. A mecânica newtoniana é ciência, universal e necessária, e portanto não é fundada na experiencia.

Voltando ao problema que Kant encontrou, a metafísica se propõe como ciência, pressupõe conhecimento à priori, mas falha. Porque falha? Porque o conhecimento à priori é possível na matemática e na física, mas na metafísica não? Resumindo, a ultima pergunta que podemos extrair é: conhecimento à priori é possível?

Esse questionamento em relação à metafísica, como ciência legítima, era objeto de várias discussões na época de Kant, a era do Aufklärung, do esclarecimento. Era um período onde as novas ciências estavam emergindo e se consolidando de maneira universal. A física não é concebida como mero tateio da razão, nem a matemática. Essas ciências, e suas leis, eram aceitas universalmente entre todos, pois os fatos conhecidos confirmam a necessidade e universalidade dessas leis, porém na metafísica, ninguém chegava a uma conclusão quanto às suas determinações, suas teses e seus objetos. Como disse Kant, o terreno da metafísica era “uma eterna arena de disputas”, onde os dogmáticos se contradiziam uns aos outros.

Ainda no período do iluminismo, Kant identificara que o espírito dessa época consistia em colocar todas as certezas em cheque, todos os preconceitos e dogmas eram criticados, os fundamentos de todos os níveis eram buscados, tanto na ciência como nas instituições (tanto cultural quanto social). Ora, a razão é o que fundamenta todas essas críticas, mas a própria razão não foi colocada em avaliação crítica. Diz; “é um convite à razão para de novo empreender a mais difícil de suas tarefas, a do conhecimento de si mesma e da constituição de um tribunal que lhe assegure as pretensões legítimas e, em contrapartida, possa condenar-lhe todas as presunções infundadas(…)”2.

A metafísica que Kant critica, e a que conhece, é a metafísica de Cristian Wolf, que era a metafísica racionalista, também de Descartes e Leibniz. Esses racionalistas acreditavam que a metafísica era possível como ciência, e a concebiam como ciência. Pretendiam provar que é possível, através da razão pura, o conhecimento de verdades sobre objetos conceituais que ultrapassam toda a experiência possível. Essa crença de que a metafísica fosse possível como ciência “é produto da confiança que eles tinham na razão. A confiança que eles tinham na razão, por sua vez, é produto da confiança que tinham na matemática. A matemática ocupa um lugar privilegiado no saber da época, sendo considerada modelo de solidez e rigor. Suas verdades são em si mesmas evidentes ou demonstradas a partir de verdades evidentes.(…)Quando um matemático demonstra seus teoremas, apóia-se unicamente na razão. Ora, se nas matemáticas a razão consegue produzir conhecimentos a partir de si mesma, por que ela não poderia fazer o mesmo na metafísica?”3

Mas a matemática não ultrapassa os limites da experiência possível, assim como a física, mas a metafísica sim. Devemos identificar, que para Kant, conhecimento só existe, em ultima instância, se existir uma espécie de síntese ente intuições e conceitos. Intuição, podemos definir, é uma captação imediata de um objeto singular, por meio dos sentidos. A única intuição possível é a intuição sensível, que é intuída sobre objetos espaço-temporais. Espaço e tempo, são as formas puras da intuição, e as únicas para Kant. A geometria procede mediante a construção de objetos, conceitos, através da intuição. Conceitos são regras de unificações de dados, transmitidos através das intuições.

Para um conhecimento à priori existir, então devem existir intuições à priori e conceitos à priori. Se os nossos conhecimentos se regularem unicamente pelos objetos dados, não seria possível conhecimentos à priori, mas se fizermos, como Copérnico (a famosa revolução copernicana, que Kant enfatiza como ponto crucial na ciência), uma inversão no modo de compreender os objetos, poderemos fundamentar uma possibilidade de conhecimento à priori.

Kant inverte, e coloca no sujeito, participação na construção dos objetos (que são sempre espaço-temporais, portanto empíricos). As intuições à priori, que são espaço e tempo, e os conceitos à priori, que pode ser o princípio de causalidade, ou o de quantidade, (intuições e conceitos que existem no sujeito) só se aplicam a objetos empíricos, portanto, conhecimento à priori só é possível em relação a objetos empíricos.

Todo conhecimento à priori, são conhecimentos sintéticos. A metafísica propõe juízos sintéticos à priori, mas só consegue afirmar juízos analíticos, ou seja, apenas fundamentados nos princípios lógico-formais de não-contradição.

A física e a matemática conseguem afirmar juízos sintéticos à priori, pois através de suas leis, conseguiram identificar a existência de relações universais e necessárias entre os fenômenos (objetos espaço-temporais).

A metafísica, portanto, não é possível como ciência, pois seus objetos ultrapassam qualquer possibilidade de experiência, só consegue operar mediante juízos analíticos e seus conceitos são construídos pela própria razão pura, não havendo identificação nenhuma com as formas de intuição puras e conceitos puros.

Mas apesar do ataque à metafísica, Kant observa que as perguntas feitas por ela, são racionalmente necessárias, mas não consegue responde-las. A razão, como a faculdade do incondicionado, ou seja, pergunta pelos porquês dos porquês, se vê trabalhando até o infinito, dando um salto ilegítimo, e introduzindo a idéia do incondicionado.

Em decorrência desses problemas, Kant instaura um tribunal, para determinar se as perguntas feitas pela metafísica são de fato legítimas, e esse tribunal denomina-se “A Crítica da Razão Pura”.

1Mário Ariel Gonzales Porta. A filosofia a partir de seus problemas, pág. 110. São Paulo, Ed. Loyola, 2007.

2Immanuel Kant. Crítica da razão pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Pág. 5. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1985.

3Mario Ariel Gonzales Porta. A filosofia a partir de seus problemas, pág 112. São Paulo, Ed. Loyola, 2007.

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