Melisso

Melisso

Parmênides teve um discípulo, Melisso, que veio de Samos, a ilha de Pitágoras, e que dizia  ter estudado também com Heráclito. Tinha atuação política e ascendeu à patente de almirante da Armada de Samos. No ano de 441 a.C., Samos foi atacada por Atenas, e embora Atenas tenha saído da guerra com a vitória consta que Melisso inflingiu duas derrotas à Armada de Péricles (Plutarco, Péricles 166c-d; DL 9, 4).

Melisso expôs a filosofia do poema de Parmênides em presa, argumentando que o universo era ilimitado, inalterável, inamovível, indivisível e homogêneo. Ele é lembrado por haver extraído duas conseqüências dessa visão monista:

  1. A dor não é real, porque isto implicaria (impossivelmente) uma deficiência no ser;
  2. Não há algo como o vácuo, já que ele teria de ser um pedaço de Não-ser. O movimento localizado seria portanto impossível, pois s corpos que ocupam espaço não teriam espaço para onde mover-se (KRS 534).

KENNY, Anthony. Uma Nova História da Filosofia Ocidental. Volume I. Filosofia Antiga. Edições Loyola. PP. 44

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Rousseau e o Homem Psicológico

I) O homem psicológico

1) O homem possui, em comum com os animais, os sentidos de onde provêm as idéias; por meio deles, percebe e sente.

2) O que o distingue do animal é, em primeiro lugar, a liberdade; por ela, o homem quer e não quer; deseja e teme. Depois, a faculdade de aperfeiçoar-se e também retrogradar; é a causa das infelicidades dos homens, que não souberam permanecer na felicidade do estado natural.

3) As faculdades intelectuais superiores nascem das faculdades inferiores.

a) A razão é posta em ação pelas paixões que, por sua vez, são suscitadas pelas necessidades. As paixões elemntares reduzem-se a três desejos e um temor:

· Desejo de nutrição

· Desejo de reprodução

· Desejo de repouso

· Temor da dor

O homem, ignorante do que seria a morte, não poderia temê-la.

b) Essa opinião pode ser comprovada, de um lado, pela história do progresso intelectual, que está condicionado pelas paixões e pelas necessidades, incessantemente aumentadas, do homem social; de outro lado, pela observação dos selvagens, que não possuem desejos ou imaginação, e vivem inteiramente no momento presente.

c) O progresso intelectual supõe trabalho, curiosidade, previdência – coisas próprias não do homem natural mas do homem social. O progresso intelectual supõe também duas condições que são as convenções sociais: a linguagem e a divisão de terras.

4) Rousseau trata do problema da origem das línguas na intenção de provar, de acordo com Condillac, que a língua supõe a sociedade e, portanto, não pôde nascer naturalmente. Rousseau, consciente da dificuldade do problema e da precariedade de todas as soluções, descreve os seguintes estágios na formação da língua:

a) O grito é a primeira linguagem natural.

b) As inflexões da voz servem, pouco a pouco, para designar os objetos.

c) Surge, por fim, a instituição dos sinais, simbolizando as articulações da voz. Limitada, a princípio, por palavras-frases, decompõ-se em infinitos e em nomes próprios, depois estende-se aos adjetivos, que são abstrações, e às idéias gerais. Compreende, então, as primeiras classificações lógicas e biológicas, como as de Aristóteles.

5) Conclusão: a sociabilidade não está inscrita na natureza humana original. O homem não tem necessidade de outrem. Não sofre nem a dor nem a miséria, que o tornariam digno de piedade. O estado de natureza caracteriza-se pela suficiência do instinto, o estado de sociedade pela suficiência da razão.

ROUSSEAU. Os Pensadores. Editora Nova Cultura. 1999. pp. 15-6