Conto Zen – A Natureza de cada um

Conto Budista:
” Monge e discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio.

Foi então a margem tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.

– Mestre, deve estar doendo muito! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!

O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:
– Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha. “

Colóquio Internacional sobre o Pensamento Oriental: debate budismo e filosofia

Imagem

Colóquio Internacional Sobre o Pensamento Oriental: Budismo e Filosofia

SÃO PAULO/SP
Data: 4, 5 e 6 de Novembro de 2013
Local: UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo

CAMPINAS/SP
Data: 
7 e 8 de Novembro de 2013
Local:
 UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas

UBERLÂNDIA/MG
Data: 
11, 12 e 13 de Novembro de 2013
Local:
 UFU – Universidade Federal de Uberlândia (Uberlândia/MG)

Apoio:
FAPESP
FAPEMIG
CAPES
Fundação Japão
Pós-gradução em Filosofia da UNICAMP
Pós-gradução em Filosofia da UNIFESP
Pós-gradução em Filosofia da UFU

Mais informações sobre o evento e inscrições no site:
https://sites.google.com/site/budismoefilosofia2013

https://www.facebook.com/budismoefilosofia2013

Colóquio Internacional Sobre o Pensamento Oriental: Budismo e Filosofia acontecerá em novembro, nas cidades de São Paulo, Campinas e Uberlândia. Nos dias 4, 5 e 6, em São Paulo, será realizado na Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Depois, segue para Campinas, dias 7 e 8, na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Por fim, em Minas Gerais, estará de 11 a 13 de novembro na Universidade Federal de Uberlândia – UFU.

Convidados internacionais

O evento contará com importantes especialistas e pesquisadores acadêmicos da área da filosofia e do budismo, do Brasil e do exterior. Diretamente do Japão, duas importantes presenças integram o quadro de palestrantes: Prof. Dr. Matsumaru Hisao, da Dokkyo University, PhD em Letras pela Kyoto University, que falará sobre Zen Budismo e a Filosofia da Escola de Kyoto; e Prof. Dr. Ryosuke Ohashi, o primeiro japonês a receber um título de Filosofia, em 1983, pela University of Wuerzburg.

Ohashi, que em 1990 obteve o prêmio Franz-Phillip-von-Siebold, traz como tema de sua participação O Lugar Histórico-filosófico da Filosofia de Nishida.

Sob coordenação geral do Prof. Dr. Antonio Florentino Neto, membro do Grupo de Pesquisa sobre o Pensamento Japonês e editor da Editora Phi, o evento conta com o apoio da Fundação Japão, FAPESP, FAPEMIG, CAPES, e das pós-graduações em filosofia das Universidades UNICAMP, UNIFESP e UFU.

Programação

SÃO PAULO/SP
Data: 
4, 5 e 6 de Novembro de 2013
Local:
 Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
Link: https://sites.google.com/site/budismoefilosofia2013/programacao/sao-paulo

CAMPINAS/SP
Data: 7 e 8 de Novembro de 2013
Local: Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
Link: https://sites.google.com/site/budismoefilosofia2013/programacao/campinas

UBERLÂNDIA/MG
Data: 11, 12 e 13 de Novembro de 2013
Local: Universidade Federal de Uberlândia – UFU
Link: https://sites.google.com/site/budismoefilosofia2013/programacao/uberlandia

Coordenação

Coordenação geral: Antonio Florentino Neto
Coordenação Unifesp: Henry Burnett
Coordenação Unicamp: Oswaldo Giacoia Jr.
Coordenação UFU: Alcino Eduardo Bonella

Organização Geral

Alcino Eduardo Bonella
Antonio Florentino Neto
Ethel Panitsa Beluzzi
Gabriel Philipson
Gabrielle Melody Harada
Henry Burnett
Lucas Nascimento Machado
Oswaldo Giacoia Jr.

Tao – O vazio do bambu

Se o bambu tivesse o talo maciço, ele seria pesado, rígido, inflexível. Com isso, os taoístas perceberam que é o vazio que garante as qualidades do bambu. O vazio é um dos conceitos fundamentais do pensamento oriental.
Para a maior parte das pessoas, o vazio tem um sentido negativo. Significa nulidade, inexistência, zero. Para os orientais é o oposto. Se o bambu tem suas virtudes por causa do caule oco, então o vazio tem um sentido positivo. O vazio é a origem de boas qualidades, é algo que se valoriza e permite a existência das coisas. Basta pensarmos de modo inverso. Se o elevador estiver lotado, não podemos entrar. Se nossa mente estiver entulhada de preocupações, não podemos pensar direito.
É dessa forma que os sábios antigos viam o vazio. Não pela ausência, mas sim pelas possibilidades que ele abre, pelos benefícios que ele traz. É uma visão positiva e não negativa. Um antigo texto chinês, o Tao Te Ching, diz: “O vaso é feito de argila, mas é o vazio que o torna útil. Abrem-se portas e janelas nas paredes de uma casa, mas é o vazio que a torna habitável”.
O vazio é invisível. Apesar de óbvio, esse detalhe é fundamental porque mostra que as coisas mais importantes são invisíveis. Os sábios sabem que existem coisas mais profundas do que as aparências
Para os mestres orientais, o vazio é universal, onipresente. Percebiam que o Sol flutuava no céu, no vazio, que a lua flutuava no escuro da noite, no vazio. Para os mestres orientais, “universo”, “o todo” e “vazio” são conceitos correspondentes. Tudo nasce no (e do) vazio e tudo volta para o vazio. O mesmo vazio do bambu.

Trecho do livro A sabedoria da Natureza, de Roberto Otsu, Editora Ágora, S. Paulo

Conto Zen – Joshu e o Grande Caminho

Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado em limpar o pátio do mosteiro. Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava atormentando, lhe perguntou:
“Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?”
Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito:
“O caminho passa ali fora, depois da cerca.”
“Mas,” replicou o homem meio confuso, “eu não me refiro a esse caminho.”
Parando seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse:
“Então de que caminho se trata?”
O outro disse, em tom místico:
“Falo, mestre, do Grande Caminho!”
“Ahhh, esse!” sorriu Joshu. “O grande caminho segue por ali até a Capital.”
E continuou a sua tarefa.

retirado do site Nossa Casa

Conto Zen – Apenas uma estátua

Apenas uma estátua

Certa vez Tan-hsia, monge da dinastia Tang, fez uma parada em Yerinji, na Capital, cansado e com muito frio. Como era impossível conseguir abrigo e fogo, e como era evidente que não sobreviveria à noite, retirou em um antigo templo uma das imagens de madeira entronizadas de Buddha, rachou-a e preparou com ela uma fogueira, assim aquecendo-se.
O monge guardião de um templo mais novo próximo, ao chegar ao local de manhã e ver o que tinha acontecido, ficou estarrecido e exclamou:
“Como ousais queimar a sagrada imagem de Buddha?!?”
Tan-hsia olhou-o e depois começou a mexer nas cinzas, como se procurasse por algo, dizendo:
“Estou recolhendo as Sariras (*) de Buddha…”
“Mas,” disse o guardião confuso “este é um pedaço de madeira! Como podes encontrar Sariras em um objeto de madeira?”
“Nesse caso,” retorquiu o outro “sendo apenas uma estátua de madeira, posso queimar as duas outras imagens restantes?”
(*) Sariras – tais objetos são depósitos minerais – como pequenas pedras – que sobram de alguns corpos cremados, e que segundo a tradição foram encontrados após a cremação do corpo de Gautama Buddha, sendo considerados objetos sagrados.
Koan: Em que parte de um objeto fica o reverenciado Sagrado?

retirado do site Nossa Casa

Conto Zen – O Monge Indiferente

Uma velha construiu uma cabana para um monge e o alimentou por vinte anos, como forma de adquirir méritos.
Certo dia, como forma de experimentar a sabedoria adquirida pelo monge, a velha pediu à jovem mulher que levava ao monge o alimento todos os dias (já que a velha senhora não podia mais fazer o caminho com freqüência) que o abraçasse.
Ao chegar à cabana, a menina encontrou o monge em zazen. Ela abraçou-o e perguntou-lhe se gostava dela. O monge, frio e indiferente, disse de forma dura:
“É como se uma árvore seca estivesse abraçada a uma fria rocha. Está tão frio como o mais rigoroso inverno, não sinto nenhum calor.”
A jovem retornou, e disse o que o monge fez. A velha, irritadíssima, foi até lá, expulsou o monge e queimou a cabana. Enquanto ele se afastava, ela gritou:
“E eu, que passei vinte anos sustentando um idiota!”

retirado do site Nossa Casa

Conto Zen – Baso e o nariz


Certo dia Baso passeava em companhia de seu jovem discípulo Hyakujô. A certa altura do passeio, viram uma revoada de patos selvagens. Baso perguntou então a Hyakujô:
“Que é aquilo, Hyakujô?”
“São patos selvagens, Mestre” – disse o jovem.
“E para onde vão?”
“Vão-se embora, voando…” – replicou Hyakujô, fitando o céu, pensativo.
Então Baso agarrou o nariz de seu discípulo com toda a força, dando um forte puxão. Hyakujô gritou:
“Aaaai!”
Baso exclamou: “NÃO FORAM EMBORA COISA NENHUMA!”
Ao ouvir isso, Hyakujô obteve o Satori.

retirado do site Nossa Casa