Conto Zen – O Mistério do Zen

O Mistério do Zen 

Certa vez, Huang Shan-ku perguntou ao mestre Hui-t’ang:
“Por favor, Mestre, diga-me qual é o significado oculto do Buddhismo?”
O Mestre replicou:
“Kung-Tzu (Confúcio) disse: ‘Pensais que estou escondendo coisas, ó meus discípulos? Na verdade, não escondo nada de vocês’. O Zen também não tem nada de oculto. A Verdade já está revelada.”
“Não enten…!” estava dizendo o homem. Mas o mestre fez um gesto de silêncio e disse:
“Não digas nada!”
Huang Shan-ku ficou confuso. O Mestre então ergueu-se e convidou-o a seguí-lo até o sopé de uma montanha. Eles caminharam em silêncio. Lá chegando, o Mestre perguntou:
“Sentes o suave aroma dos ciprestes?”
“Sim,” disse o outro.
“Como vês, também eu não escondo nada de ti.”

retirado do site Nossa Casa

Conto Zen – Por que Palavras?

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Um monge aproximou-se de seu mestre – que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua – com uma grande dúvida:
“Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?”
O velho sábio respondeu:” As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta.”
O monge replicou: “Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?”
“Poderia,” confirmou o mestre, “e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio.”
“Então,” o monge perguntou,” por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?”
“Porque,” completou o sábio, “da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário.”
O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

Tam Hyuen Van

Notas do blog: para ler comentários do autor desta história, por favor acesse:http://tamhaovan.multiply.com/journal/item/34

ilustração de Yoshitoshi Tsukioka, Lua da Iluminação: Cem visões da Lua (Moon of Enlightenment: One Hundred Views of the Moon, 1885-1892); para ver mais desta série por favor acesse http://yoshitoshi.verwoerd.info/

The night clouds dissolve
Hotei pointing at the moon
holds no opinion

Retirado de: http://paraserzen.blogspirit.com/

Conto Zen – A morte da xícara de chá

Era uma vez um grande mestre do Zen, uma escola de ensinamentos do Buda que tem uma maneira muito realista de encarar as coisas da vida. Esse grande mestre chamava-se Ikkyu. Desde pequeno mostrava grande inteligência e sempre encontrava uma maneira de resolver seus problemas.

Um dia, o menino estava brincando e deixou cair uma xícara de chá, que foi ao chão e se despedaçou. Acontece que a xícara pertencia ao mestre de Ikkyu. Era muito antiga e preciosa, e o mestre do menino a estimava muito. Preocupado com o acidente, Ikkyu ouviu o mestre chegar e, muito depressa, escondeu os pedaços da xícara atrás das costas. Quando o mestre apareceu, Ikkyu perguntou:

— Por que as pessoas morrem?

— É algo natural — respondeu o mestre. — Tudo tem um tempo de vida e depois morre.

Depois dessas palavras do mestre, Ikkyu lhe mostrou os pedaços da xícara quebrada.

Este conto faz parte do livro de coletânea Contos Budistas, recontados por Sherab Chödzin e Alexandra Kohn,  ilustrados por Marie Cameron, editado no Brasil pela Editora Martins Fontes, tradução de Monica Stahel, São Paulo, 2003

retirado do blog para ser zen

Zen – O sabor do zen

Minagawa Shunzaemon, célebre poeta muito apegado à rima e adepto do zen, ouviu falar num famoso mestre zen, Ikkyu, chefe do templo de Daitoku-ji, situado na região dos campos violeta. Desejando tornar-se seu discípulo, foi visitá-lo. À entrada do templo, entabularam o diálogo.
Ikkyu perguntou:
– Quem és tu?
– Um budista – respondeu Minagawa
– De onde vens?
– Da vossa província…
– Ah!… E que tem acontecido ali nos últimos dias?
– Os corvos crocitam, os pardais chilream.
– E onde crês estar agora?
– Nos campos violeta.
– Por quê?
– As flores, essas glórias da manhã… o áster, o crisântemo, o açafrão…
– E quando murcham?
– É Myiagino (campo decantado pela beleza das flores de outono)
– Que acontece nesses campos?
– Ali flui o rio, varrido pelo vento.
Estupefato ao ouvir tais palavras, que tinham o sabor do zen, Ikkyu levou-o para seu quarto e ofereceu-lhe chá. Em seguida compôs, de improviso, os seguintes versos:

” Um prato delicado eu quisera te dar,
Mas ai de mim, o zen nada pode ofertar…”

Respondeu o visitante:

” O espírito que só pode oferecer-me o nada
é o vazio original
Iguaria delicada entre as mais ”

Profundamente comovido, o mestre concluiu:
– Meu filho, aprendeste muito !!!

Texto retirado de http://contos-zen.blogspot.com/

Zen – O som do calhau, o som do bambu

Um dia em que Kyogen varria o jardim à frente do eremitério, rolou montanha abaixo um calhauzinho que foi bater num bambu. O som fê-lo despertar e ele, assim, obteve o satori perfeito.
No rinzai, é costume dizer que o satori chega de repente. Mas o que é o satori? Antes dessa experiência, ele alimentara sempre uma dúvida. Dia após dia, não se sentia satisfeito. Seu mestre, Issan, lhe dizia:
– És inteligente mas leste sutras em demasia. Tua inteligência do zen provém da memória dos sutras! Não podes obter o shiho (a transmissão, a certificação do mestre ao discípulo). Procura retornar ao período do teu nascimento, quando não podias compreender em que direção ficavam o leste e o oeste, e volta a falar-me nisso.
Ele queimou incontinenti todos os seus livros, seus sutras, seus cadernos. Chorou. Deixou o dojo do mestre, foi para a montanha e passou a viver sozinho. Fez zazen sozinho durante um ano, dois anos. Um dia, escutando o som do bambu ferido por uma pedra, despertou de todo e suas dúvidas tiveram fim: “Fui estúpido até hoje”. Compôs um poema: ” Tudo esqueci. Dei cabo das idéias que me atochavam o espírito. Minhas complicações tiveram fim.”
Fez sampai na direção do mestre, Issan, e queimou incenso. Enviou o poema ao mestre, que disse: “Esse rapaz, meu discípulo, compreendeu”.
E concedeu-lhe o shiho.
Inspirado nessa história, Deichi fez um poema:
“Pelo som de um choque
Ele esqueceu todo seu saber”.

texto retirado de: http://contos-zen.blogspot.com/

Koan – Bom gosto

Outro koan. Um mestre oferece um melão a um discípulo.
– Que te parece o melão? – pergunta-lhe. – Tem bom gosto?
– Sim, sim ! Muito bom gosto! – ouve o discípulo.
O mestre faz então outra pergunta:
– O que é que tem bom gosto, o melão ou a língua?

(Para virar um koan, recortei o começo de um conto retirado de

http://contos-zen.blogspot.com/)

O Zen é intransitivo

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Zazen literalmente significa Sentar Zen. Zen é uma palavra que vem do Sânscrito Dhyana ou Jhana e significa um estado meditativo profundo. Geralmente não chamamos o Zazen de meditação, pois o verbo meditar é transitivo direto, ou seja, requer um objeto. Meditar sobre a vida, meditar algo. Enquanto que o Zen é intransitivo. Não há objeto de meditação. Até o sujeito desaparece. E quando isso acontece o Caminho se manifesta em sua plenitude.

Monja Coen (de um folheto do Retiro O Caminho Zen)


Nota do blog: zazen, foto da Monja Coen num retiro em Minas Gerais; se desejar ler mais por favor acesse: http://www.monjacoen.com.br/

Retirado do blog: http://paraserzen.blogspirit.com/