Roda Viva – Arthur Giannotti – 07/05/2012

Texto e vídeo do próprio site da TV Cultura.

Para o link original, clique aqui.

.

 

.

Filósofo e professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (Universidade de São Paulo), José Arthur Giannotti foi o centro do Roda Viva de segunda-feira (7/5). Além de filosofia, o professor Giannotti, que é pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), também falou sobre política e corrupção, fazendo uma leitura do Brasil de hoje.

“Nós temos uma sociedade de sociólogos fechados”, é assim que define os pensadores de hoje. Para Giannotti, a se a filosofia não for algo mais do que o remoer dos textos ela não chega a entrar para debate mundial.  Mas ele ressalta que há grandes pensadores na atualidade, dentre eles jornalistas que falam como filósofos.

Mas difícil mesmo é saber traduzir um filósofo. Eles existem e sempre existiram. Cada um com suas palavras e pensamentos. “Há um grande engano, quando se lê René Descartes pensa-se que se entendeu e não entendeu-se nada”. Segundo Giannotti, “todos os filósofos estão certos, todos estão errados. Eles dizem o mesmo de uma forma diferente”.

O professor também falou sobre os sistemas de cotas raciais nas universidades: “Sou inteiramente favorável. Existe uma dívida com a população negra que precisamos resgatar. Se fizermos uma quantidade de cotas para escolas públicas, teremos uma quantidade grande de negro sem classifica-los como negros. Acho que podemos também tentar outras soluções, outros tipos de cotas”. Ele ainda ressalta: “daqui a pouco vão ter também cotas para os descriminados se sexualmente”.

Segundo o filósofo, o bom estadista é aquele que perde a alma pelo Estado. Ele também deixa explicita a sua insatisfação com o sistema Judiciário de hoje. “Eu não aguento mais ver sessões do Supremo em que juízes dão parecer de duas horas e pouco e os colegas também dão o parecer no de mais de duas horas, ou seja, virou espetáculo e dizem que estão fazendo justiça”.

Para o professor, o mercado é predador e o maior desafio do país é saber controla-lo. “O grande problema é como vamos controlar o mercado. As tentativas dos últimos anos foram desastrosas. Isso é controlado pela política”.

Sobre a corrupção: “o país pode entrar em decadência por décadas. Não adianta mais o grito generalizado contra a corrupção”. Para Giannotti, neste caso vale o ditado: ‘Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura’.

Apresentado pelo jornalista Mario Sergio Conti, o Roda Viva contou, para esta edição, com uma bancada formada por: Laura Greenhalgh (editora executiva do jornal O Estado de S. Paulo e coordenadora dos cadernos Aliás, Sabático, e Caderno 2); Marcos Flamínio Peres (diretor de redação da revista Cult); Luciano Codato (professor do departamento de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp); Márcio Sattin (professor de Estética na Escola da Cidade); Angela Alonso (professora do departamento de Sociologia da USP e pesquisadora sênior do Cebrap).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s