Osvaldo Pessoa – Aula 9 – Tradições de Pesquisa na Astronomia Antiga (4/4) Final

4. A Tradição de Pesquisa dos Epiciclos e Excêntricos

Um fator adicional para a não aceitação da teoria heliocêntica foi o surgimento de uma nova estratégia matemática para se salvarem as aparências. Um dos problemas do modelo  de Eudoxo fôra explicar a desigualdade das estações. A teoria heliocêntrica em nada contribuía para explicar este problema.

Porém, um modelo novo teve bastante sucesso neste sentido: os modelos “gêmeos” dos epiciclos e círculos excêntricos, que preservava o geocentrismo e os movimentos circulares. Um epiciclo é o movimento circular de um planeta P em torno de um ponto C, que por sua vez orbita no círculo “deferente” em torno de um centro E onde se localiza a Terra (Fig. IX.6). Um excêntrico é o movimento circular de P em torno de um ponto fixo O que não coincide com o centro da Terra E (Fig. IX.7). Pode-se mostrar que ambos os modelos são equivalentes. Quem introduziu os epiciclos e excêntricos para descrever os movimentos de todos os planetas, do Sol e da Lua foi Apolônio, em 200 a.C., aproximadamente (seção IX.3).

A Fig. IV.8 ilustra como descrever a retrogradação dos planetas a partir de um epiciclo que gira no mesmo sentido que o deferente. Outro sucesso da teoria foi dar conta, de maneira bastante simples, da observação de Calipo de que, a partir do equinóxio de primavera, as estações têm 94, 92, 89 e 90 dias.

O modelo de Apolônio foi aperfeiçoado pelo maior astrônomo da Antigüidade, Hiparco de Nicéia (190-126 a.C.), que ajustou os valores numéricos que melhor descreviam as observações. Hiparco também atacou o problema mais difícil da Lua, tendo tido acesso aos dados babilônicos de eclipses, fato que só foi possível no Helenismo, em conseqüência da maior integração das diferentes nações. A astronomia helênica também fez grandes avanços na parte experimental, desenvolvendo instrumentos de observação mais precisos. A Hiparco é atribuído a “dioptria de bastão de 4 cúbitos”. A dioptria é um bastão com duas fendas separadas, através das quais se pode olhar uma estrela ou corpo celeste. É possível que Hiparco já usasse também o astrolábio armilar, instrumento que permitia medir a altura de um astro acima do horizonte.

Plínio conta que Hiparco fez uma observação de uma estrela “nova”. Para averiguar se no futuro outras mudanças ocorreriam nas estrelas fixas, resolveu catalogar todas as estrelas visíveis, ajudado pelos instrumentos que desenvolveu. Catalogou 850 estrelas, fornecendo alatitude e longitude de cada uma, o que viria servir de base para o catálogo de Ptolomeu. Com estes dados, Hiparco descobriu a precessão dos equinócios: o eixo da Terra descreve um movimento rotatório de 50 segundos de arco por ano, o que resulta num período de 26.000 anos.

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