Osvaldo Pessoa – Aula 7 – Medicina Greco-Romana (4/4)

4. Medicina Romana

Os romanos tinham um espírito prático bastante acentuado, e suas maiorescontribuições científicas foram na esfera prática, não teórica, tendo assimilado a herançateórica grega. Nas matérias biológicas, por exemplo, criaram a ciência aplicada daAgronomia. O mais importante autor biológico romano foi Plínio (23 a.C.-79 d.C.), queescreveu a História Natural em 37 volumes, muitos dos quais dedicados a animais. Muitosdos seus relatos, porém, eram fantasiosos, pois baseavam-se em antigos relatos. Suasdescrições anatômicas tinham caráter enciclopédico, coletando fatos sem intenção teóricaespecífica. Ao lado de Aristóteles, foi o autor mais influente no Renascimento das ciênciasbiológicas, no séc. XVI.

A medicina romana demorou para aceitar a tradição grega, trazida por médicos comoAsclepíades de Bitínia (c. 124-40 a.C,), que foi o primeiro médico grego bem-sucedido em Roma.Tendo vindo de Alexandria, rejeitava a teoria dos quatro humores de Hipócrates. Era atomista,teorizando que as doenças eram causadas pela obstrução ou liberação excessiva dos fluidos nocorpo (fluidos estes concebidos como feitos de átomos). Valorizavam os banhos para desobstruiros poros, e receitavam adstringentes quando fosse necessário fechá-los. Introduziu a prática datraqueotomia (incisão na traquéia) para tratar a difteria, e métodos mais humanos para tratar osdoentes mentais. Seu trabalho influenciaria a escola metodista, fundada por Temisão.

Outro grande enciclopedista romano (ao lado de Plínio) foi Aulus Celsus (c. 25 a.C.-50 d.C.), mas apenas sua obra sobre medicina, De res medica, sobreviveu. Destacava otratamento de feridas – indicando os quatro pontos cardeais da inflamação: rubor, calor, dolor(dor) e tolor (inchaço) – e também o de fraturas. Sorano de Éfeso (98-138 d.C.) é consideradoo pai da obstetrícia e da ginecologia, vindo a Roma de Alexandria e também fazendo parte daescola metodista. Dioscórides (c. 40-90 d.C.) era o principal cirurgião militar no reinado deNero, e tornou-se referência na farmacologia até o Renascimento. Sua obra principal foi aMatéria Médica, que descrevia mais de 600 plantas medicinais. A saúde pública e osaneamento básico progrediram muito durante o Império Romano.28

 

28 Esta seção se baseou até aqui em NORDENSKIOLD (1949), op.cit. (nota 4), cap. VII. A parte médica romana ébem explorada em MARGOTTA, R. (1998), História Ilustrada da Medicina, Manole, São Paulo, pp. 32-43(original em italiano: 1967).

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