Oswaldo Pessoa – Aula 6 – A Ciência Aristotélica e seus Sucessores (3/4)

3. Os Sucessores de Aristóteles: Teofrasto e Estráton

No Liceu, em Atenas, os sucessores de Aristóteles foram Teofrasto de Ereso (371-286 a.C.) e Estráton de Lâmpsaco (c. 340-268 a.C.). Teofrasto trabalhou vinte anos com Aristóteles, no Liceu, passando a dirigir a escola por 35 anos após a morte do mestre. Teve uma obra científica comparável à de Aristóteles, tendo escrito dois grandes tratados de botânica e um de petrologia. Questionou o domínio de validade da noção de causa final: qual seria, por exemplo, a causa final das marés? Por que os cervos teriam chifres, se lhes eram perniciosos?

Rejeitou também que o fogo fosse um dos elementos primários. Investigou vários aspectos da geração do fogo, questionando-se, por exemplo, por que uma brasa apertada na mão queima menos do que uma brasa solta. Escreveu um tratado de petrologia, descrevendo pedras de vários tipos a partir do peso, dureza, reatividade ao fogo, etc. É dele a descrição mais antiga de um método para determinar as proporções dos constituintes de uma liga metálica, e do método de preparação do pigmento de chumbo branco.

Mas seu campo mais importante de atividade foi a botânica. Mencionou cerca de 550 espécies e variedades de plantas. Elaborou um método de classificação vegetal que seria bastante influente, partindo da distinção entre árvores, arbustos, vegetação rasteira e ervas. Discutiu a seiva das plantas, as ervas medicinais e os tipos de madeiras. Cunhou o termo “pericarpo” para a parte do fruto que envolve a semente. Descreveu também em detalhes as flores com e sem pétalas, osangiospermas e as gimnospermas, e também as monocotiledôneas e as dicotiledôneas. Incluiu, em sua classificação dos diferentes modos de reprodução de plantas, a geração espontânea, que era aceita também em animais, mas reconheceu que o que aparenta ser “espontâneo” poderia ser causado por sementes pequenas, como sugerira Anaxágoras.

O sucessor de Teofrasto à frente do Liceu, Estráton, também escreveu sobre vários assuntos, mas se concentrou na física e na dinâmica. Só restaram poucos trechos de sua obra. Sobre a natureza do pesado e do leve (ou seja, sobre a gravidade), rejeitou a idéia aristotélica de que haveria duas tendências naturais: corpos leves para cima, corpos pesados para baixo. A ascensão do ar e do fogo pode ser explicada, de maneira mais simples, apenas pela tendência dos corpos mais pesados para de deslocarem para baixo. Investigou também o aumento de velocidade (aceleração) na queda livre, notando que o barulho feito pela água que cai do alto é maior do que o da água que cai de um lugar mais baixo.

Estráton realizou experimentos para investigar o vácuo. Num destes experimentos, demonstrou a materialidade do ar, colocando um balde invertido na água. Defendeu a possibilidade de se produzir o vácuo, baseado em observações e rejeitando as considerações teóricas de Aristóteles. Num outro experimento, argumentou que a compressibilidade do ar indica a existência de vácuos espalhados em pequenas quantidades, e que ao se chupar o ar de um recipiente produz-se um vácuo.

 

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