Oswaldo Pessoa – Aula 5 – Explicação Científica: Três Tradições (3/4)

3. Unificação a partir de Leis Gerais
Compare com o segundo tipo de explicação, exemplificados pelas seguintes perguntas. “Por que o céu é azul?”. Resposta: “Por que a luz do sol sofre um espalhamento ao se chocar com as moléculas do ar, e pela lei de Rayleigh a taxa de espalhamento é proporcional à quarta potência do comprimento de onda, de forma que a luz azul se espalha muito mais do que as outras cores”. Nesta explicação, invocou-se uma lei da Física, uma lei geral que explica vários fenômenos diferentes, e portanto unifica-os. Por exemplo, esta mesma lei explica por que os olhos de quem não tem pigmento na íris aparecem azuis, e explica muitos outros fenômenos.
Outro exemplo de unificação: “Por que uma lata de milho fechada que foi aquecida no fogo por um escoteiro acabou explodindo?”. Esmiucemos a estrutura lógica desta explicação. Ela envolverá uma “lei geral”, algumas “condições antecedentes” e a conclusão, que é o explanandum.

Lei geral: Sempre que um gás, mantido em um recipiente fechado a volume constante, é aquecido, a pressão que ele exerce aumenta proporcionalmente: pV = nRT.
Condições antecedentes: (1) A água da lata de milho se transforma em vapor (gás) ao ser fervida no fogo. (2) A lata só pode suportar uma pressão de até 10 atmosferas. (3) O calor transferido para o vapor aumentou sua pressão para acima de 10 atm.
Conclusão: A lata explodiu.

 

Os filósofos da ciência Carl Hempel & Paul Oppenheim23 chamaram atenção para a estrutura lógica deste tipo de explicação, que passou a ser chamado Modelo de Lei de Cobertura da Explicação, ou então Modelo Dedutivo-Nomológico.
Um exemplo famoso de unificação foi dado pela lei da gravitação universal de Newton (1687), que explicou a queda dos corpos na Terra, o movimento dos corpos celestes e as marés de uma única maneira.

 

23 HEMPEL, C.G. & OPPENHEIM, P. (1948), “Studies in the Logic of Explanation”, Philosophy of Science 15, 135- 75. Em português há uma tradução de um livrinho de Hempel que trata deste assunto: HEMPEL, C.G. (1981), Filosofia da Ciência Natural, Zahar, Rio de Janeiro.

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