Husserl – Investigações Lógicas – Capítulo 4 – Item 1/6 – Tradução Alianza Editorial

O conteúdo fenomenológico e ideal das vivências de significação.

O conteúdo da vivência expressiva no sentido psicológico e seu conteúdo no sentido da significação unitária.

A essência da significação não a vemos, pois na vivencia que da significação, sem o conteúdo desta, conteúdo que representa uma unidade intencional idêntica, frente à dispersa multiplicidade das vivencias reais ou possíveis do que fala e do que pensa. “Conteúdo” da vivencia de significação, neste sentido ideal, não tem nada que ver com o que a psicologia entende por conteúdo, isto é, alguma parte real ou algum aspecto de uma vivência. Quando compreendemos um nome – não importa que dito nome nomeie algo individual ou algo geral, algo físico ou algo psíquico, algo que é ou algo que não é, algo possível ou algo impossível – ou quando compreendemos um enunciado – não importa que este enunciado seja por seu conteúdo verdadeiro ou falso, congruente ou contra-sentido, julgado ou fingido -, o que uma ou outra expressão disse (em uma palavra: a significação que constitui o conteúdo lógico e que em conexões puramente lógicas é designada diretamente como representação ou conceito, como juízo ou proposição, etc.), não é nada que no sentido real posa valer como parte do ato correspondente de compreensão. Esta vivência tem, naturalmente, também seus componentes psicológicos; é um conteúdo e consta de conteúdos, no sentido psicológico corrente. A estes pertencem, sobre todo, os elementos sensíveis da vivência, os fenômenos verbais em seus conteúdos puramente visuais, acústicos, motores e assim mesmo os atos da interpretação objetiva, que ordena as palavras no espaço e tempo. O conteúdo psicológico é neste respeito conhecidamente variável e notavelmente cambiante de individuo em individuo: também troca para o mesmo individuo em diferentes tempos e ele com respeito a “uma e a mesma palavra”. Que nas representações verbais, que acompanham meu pensar silencioso, fantasio eu palavras faladas pela minha voz? Que as vezes me aparecem os signos gráficos de minha estrutura taquigráfica ou normal, etc? Todas estas são propriedades individuais minhas, que pertencem ao conteúdo psicológico de uma vivência de representação. Ao conteúdo no sentido psicológico  múltiplas diferenças – não sempre fáceis de apreender descritivamente – referentes ao caráter de ato que constitui a menção e representativamente a compreensão da palavra, no significado unitário, completamente indiferente o que eu me representei na fantasia ao homem insigne com chapéu mole e capa ou com uniforme de “coracero”, segundo a pauta de uma ou outra imagem conhecida. É mais: a circunstância mesma de que existam ou não imagens intuitivas da fantasia ou imagens que indiretamente vivifiquem a consciência da significação, não ´pe de nenhuma importância.

Em luta contra uma concepção muito difundida temos demonstrado que a essência do expressar reside na intenção significativa e não nas imaginações mais ou menos perfeitas, mais próximas ou mais remotas, que podem adicionar-se para cumprimento da dita intenção. Porém, se tais imaginações existem, estão intimamente fundidas com a intenção significativa. E por isso se concebe que a vivencia unitária da expressão – expressão que funcione conforme o sentido p , considerada de caso em caso, mostre também pelo lado da significação notáveis diferenciações psicológicas, permanecendo, “empero”, sua significação inalteradamente a mesma. Também temos mostrado que a essa identidade da significação no atos pertinentes, corresponde realmente algo determinado; que, por tanto, o que chamamos intenção significativa não é um caráter indistinto que se diferencia só pela conexão com as intuições “impletivas”, isto é, exteriormente. Mais bem diremos que às diferentes significações, e respectivamente às expressões que funcionam com diferente significação, pertencem também no conteúdo intenções significativas caracterizadas de diferente modo; enquanto isso que todas as expressões compreendidas em igual sentido estão previstas da mesma intenção significativa, como caráter psíquico igualmente determinado. E por isto é pelo que as vivências de expressão, que se diferenciam tão notavelmente em seu conteúdo psicológico, se convertem em vivencias da mesma significação. É notório que a hesitação do significar condiciona aqui certas limitações, que não cambiam em nada a essência da coisa.

HUSSERL, Edmund. Investigaciones lógicas. Alianza Editorial. pp. 285-6

Tradução: Paulo Abe


Clique aqui para a parte 2/6 desta tradução.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s