Kierkegaard – O segundo estádio da vida é o estádio ético.

Kierkegaard Estatua

O segundo estádio da vida é o estádio ético.

O estádio de vida ético é, pelo contrário, caracterizado pelo comprometimento com algo duradouro, como o casamento, ou seja, a seriedade. Visa a superação de obstáculos para o equilíbrio de sua “conquista” e, não, como o esteta, trocá-la por uma nova. Ou seja, na vida ética, o homem singular sujeita-se a uma forma, adequa-se ao universal e renuncia a ser exceção[1].É consciente de seus atos e suas vontades, deste modo, responsável, tendo o critério de suas escolhas sempre a qualidade e não a quantidade estética. Assim, tal responsabilidade o leva a regular-se pela “lei moral, a universalidade da regra kantiana[2]. Mas não no sentido simplista de livre-arbítrio e, sim, no sentindo do esforço de boa vontade no sentido de Kant.

Em termos mais precisos, escolher eticamente é optar por si mesmo e concentrar-se, e isto optando por si mesmo no mundo sem fugir das tarefas que impõe, no lugar concreto designado a cada um. É necessário não só querer, mas amar tornar-me eu mesmo, e isto implica cumprir humildemente o próprio dever, no quadro familiar do amor conjugal, na fidelidade resgatada dia após dia, que o hábito não enfraquece, mas aprofunda.[3]

Desta forma consciente, a escolha representa sua liberdade.

Uma vez efetuada esta escolha, o indivíduo descobre em si uma riqueza infinita, descobre que existe em si uma história onde reconhece a identidade consigo próprio. Esta história inclui as suas relações com os outros, mesmo nos momentos em que o indivíduo parece isolar-se mais, penetrando mais profundamente na raiz que o une a toda a humanidade. Pela sua escolha, o indivíduo não poderá renunciar a nada da sua história, nem mesmo aos aspectos mais dolorosos e cruéis[4].

Assim, o Indivíduo ético é superior ao estético e preserva-lhe os valores positivos. Seu bom senso é a fonte da sabedoria moral, mas estando este saber baseado no número, na quantitatividade, ou seja, no geral, o leva a problemas de mesma ordem. Tais problemas representam um “perigo de fazer o homem esquecer que ele é e deve ser um Indivíduo singular, submetido a deveres pessoais e revestido de uma responsabilidade própria e inalienável[5]. A lei do geral tende a fazer o Indivíduo se perder na turba, no rebanho, ameaçando “perverter tudo, inclusive a sua moral[6]. Deste modo, quando o Indivíduo se deparar com casos em que a ética é impotente, Kierkegaard propõe, como em “Temor e Tremor”, a necessidade de algumas vezes de uma “suspensão teleológica da ética” para aquele que queira ir ao “extremo de si mesmo em Deus. A vida então se desenrola além do bem e do mal. A generalidade deve ceder o lugar à singularidade única e responsável”[7].


[1] ABBAGNANO, Nicola. História da Filosofia. Décimo Volume. Editorial Presença. P. 12

[2] FARAGO. France. Compreender Kierkegaard. Editora Vozes. P. 124

[3] FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Editora Vozes. P. 125

[4] ABBAGNANO, Nicola. História da Filosofia.  Volume 10. Editorial Presença. P. 12

[5] FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Editora Vozes. P. 125

[6] FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Editora Vozes. P. 125

[7] FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Editora Vozes. P. 126

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s