Kierkegaard – O primeiro estádio da vida é o estádio estético.

Don Giovanni

O primeiro estádio da vida é o estádio estético.

Este estádio é a identidade que Esteta A possui em “O Diário do Sedutor”: o prazer é o objetivo de sua vida e ele só é gozado no instante, em seu imediatismo: “[…] é imediato: vê- la e amá-la é a mesma coisa[1]. Pois, há uma fascinação pelo instante e pela necessidade do prazer nunca satisfeito, o que não lhe impede de se relacionar com os outros apenas para lhe satisfazer, ou seja, usá-los como meros objetos. Mas há no Esteta A uma insatisfação com seu modo de vida, devido à sua falta de consciência sobre si mesmo e seu desespero, porque seus prazeres só lhe satisfazem no instante e, após ele, se defrontando com um vazio, o não-prazer, apenas, em vez de mudar seu modo de existência, procura aprimorar sua sedução e simpatia para alcançar, através do número, mais conquistas, isto é, prazer[2]. O Esteta A ainda não alcança a discussão qualitativa de vida.

A irresponsabilidade no estádio estético se mostra notável pela sua falta de consciência. Para este Indivíduo, não há diferença entre escolher com discernimento ou apenas escolher. Seus atos egoístas não enxergam o além de seu instante de prazer imediato, vivendo assim numa realidade própria, ou melhor, fora da própria “realidade”[3]. Sua vida é uma ilusão. Da mesma maneira sustentando seu personagem – pois, finge ser feliz para mostrar aos outros que seu modo de vida lhe satisfaz -, tem como moeda corrente apenas mentiras, já que são as únicas coisas que recebe e dá.  Então, seu prazer é incompleto e não se apercebe, uma vez que não consegue ter posse absoluta de sua conquista, sentindo o vazio, pois nega a si mesmo sentir algo verdadeiro. Faz da própria vida uma mentira.

Assim, este esteta não se realiza como ser humano, já que não consegue se satisfazer – pois, todas as suas conquistas estão ligadas ao corpo e, não, à alma – e se compreender a si próprio, entregando-se à ilusão que cria. Preso à sensualidade, a uma imoralidade e a uma alma plenamente corporal, este Indivíduo, para Kierkegaard, se encontra, definitivamente, em desespero.

É o homem dos extremos, que esconde o seu mal-estar sob uma aparência estudada, uma compostura vazia. Trata-se realmente de um homem insensível, desorientado, que esconde o desespero em uma fuga incessante, uma negação assassina. O esteta, que tudo sacrifica à busca do prazer imediato, vive de fato na dor.[4]


[1] KIERKEGAARD, Soren. O Matrimônio. São Paulo: Editorial Psy II, 1994, p.20.

[2] DACOREGIO, Alexsandra Amorim. Os modos de vida em Kierkegaard. Mestrando. P. 31

[3] Index

[4] FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Editora Vozes. P. 122

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