Sócrates e a morte em “Fédon”

Socrates antes de morrer (Fédon)

O filósofo é aquele que despreza o seu corpo e só dá valor à sua alma. Apenas satisfaz aos desejos de sua alma, que só podem ser alcançados intelectualmente. Logo, filósofo. 

Toda a sua vida se dedica ao momento de sua morte, pois, uma vez que só valoriza sua alma e não ao seu corpo e seus empecilhos, gostaria no fundo de si mesmo ser só alma. Aqui Sócrates toma emprestado muitas idéia do orfismo ou apenas chega à mesma conclusão.

Mas para alcançar este nível de ser apenas alma, há duas maneiras:

  • morrer de fato, e o corpo se separar da alma, mas logo voltar a reencarnar.
  • ou se purificar através da verdade e do pensamento que, para Sócrates, são formas de purificação.

Assim, só o filósofo que é aquele que tem amor, ou seja, ligação com a sabedoria pode alcançar o lugar privilegiado! Pois, como no diálogo é dito, todas as moedas e mercadorias são trocadas reciprocamente, mas à sabedoria cabe a supremacia. Então, o filósofo, possuidor da mais valorizada posse alcança o Hades sem ter de voltar à sua ligação com o corpo, pois seu amor e alma purificada o liga à Sabedoria Pura! Então, o filósofo não teme a morte, mas vive para ela, pois é somente nela, a separação da alma do corpo e a ligação à pura Morada dos Deuses, que ele pode se realizar.

Desta forma, o “aprender não é outra coisa senão recordar” que é dito no “Menão” se legitima nesta lógica. A de que lembramos de nossas outras vidas e de que pelo seu princípio geral de toda geração a alma é imortal.

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