Confúcio – Governo e Moral

A obsessão burocrática de Confúcio – talvez o primeiro ideólogo da burocracia então em formação – de quer ver tudo como um ritual, revela-se quando ele faz reiteradas recomendações ao principe em fazer bem a tcheng min (a denominação correta das coisas), a precisa distribuição dos deveres e das funções dos servidores, pois ele, o senhor, não é apenas alguém que reina. O kiun tseu, o principe, organizador das coisas, é igualmente um valor moral: a nobreza da alma dele é o que melhor o qualifica para as dignas e elevadas funções que exerce. Assegurada a absoluta correção pessoal dele, pode até dispensar-se de promulgar leis, pois o seu desejo ou inclinação prontamente são obedecidos pelos súditos. Não precisa, para tanto, intimidar ou atemorizar ninguém. Ao adentrar em qualquer recinto todos sentem a inequívoca força moral que desprende-se dele, prostrando-se frente ao seu caráter superior.

O bom governo é acima de tudo uma força moral que constrange o potencial negativo e anti-social do delinqüente, do malvado e do fraudador, cerceando-os, obrigando-os a seguirem as regras do bom convívio desejado pela coletividade. Entende-se assim o dito de Confúcio de que “a virtude do príncipe é como o vento agindo sobre a erva da plebe. A erva sempre se curva quando o vento sopra sobre ela.” O estímulo sistemática dele, em linguagem sempre poética, para a conciliação entre o governo e seus dirigidos, entre soberano e súdito, entre o homem e a natureza e dos homens entre si, é que explica denominação poética da maioria das dependências existentes na Cidade Proibida de Pequim, antiga morada dos imperadores chineses, construída no tempo da Dinastia Ming. Sucedem-se naqueles pavilhões, construções que por 600 anos serviram aos detentores do Mandato Divino, uma alameda chamada de a Pureza Celestial, seguida pela da União e Paz, outra denominada de a Tranqüilidade Terrestre e ainda a da Elegância Preservada, havendo um prédio dedicado às Melodias Alegres.

Texto retirado de: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/politica/2002/11/25/000.htm

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