Rumi – [Não encontrarás]

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Segura o manto de seus favores,

Pois ele logo desaparecerá.

Se o retesa como a um arco,

Ele escapará como flecha.


Vê quantas formas ele assume,

Quantos truques ele inventa.

Se está presente em forma,

Então há de sumir pela alma.


Se o procuras no alto céu,

ele brilha como a lua no lago;

entras na água para capturá-lo

e de novo ele foge para o céu.


Se o procuras no espaço vazio

lá está, no lugar de sempre;

caminhas para este lugar

e de novo ele foge para o vazio.


Como a flecha que sai do arco,

Como o pássaro que voa da tua imaginação,

O absoluto há de fugir sempre

Do que é incerto.


“Escapo daqui e ali,

Para que minha beleza

Não se prenda a isso ou aquilo.

Como o vento, sei voar,

E por amor à rosa, sou como a brisa;

Também a rosa há de escapar do outono.”


Vê como se eclipsa este ser:

Até seu nome se desfaz

Ao sentir tua ânsia de pronunciá-lo.


Ele te escapará à menor tentativa

De fixar sua forma numa imagem:

A pintura sumirá da tela,

Os signos fugirão de teu coração.


RUMI, Jalal ud-Din. Poemas Místicos Divan de Shams de Tabriz. Attar Editorial. Pp118-119

Obs: Os Poemas não possuem títulos. Os títulos do livro foram escritos pelo tradutor José Jorge de Carvalho

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