A Temperança Salva a Phronesis

Podemos dizer que a phronesis é a excelência intelectual para atingir o que é nobre, por essa instância ela é comumente traduzida por “prudência” e em determinados contextos, com maior precisão, por “sabedoria prática”. O homem somente é reconhecido como homem, no pensamento aristotélico, se realizar a função que lhe é própria, para tanto ele buscará através do exercício racional buscar os melhores meios para atingir os fins adequados, e que lhe são próprios, de acordo com sua disposição de caráter, habilmente instaurada pela educação e pelo treino. Todavia, o exercício da sabedoria prática se dá no âmbito das coisas variáveis, como se infere das seguintes palavras:

“Resta, pois, a alternativa de ser ela uma capacidade verdadeira e raciocinada de agir com respeito às coisas que são boas ou más para o homem”.[1]

Ora, as proposições necessárias (como, por exemplo, aquelas pertencentes ao reino da Aritmética), não podem ser pervertidas pela intemperança, Mas, o juízo das coisas variáveis, que são aquelas que “se há de fazer”, podem ser pervertidos. E é por este motivo que Aristóteles pode dizer que, quem salva a phronesis é a “temperança” (sophrosinè). Pois mantém nítida a relação estabelecida entre a “causa originária” das ações – morais – com seus fins, não permitindo que o prazer ou dor as obnubilem, como ocorre com o homem intemperante.


[1] ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. V, 5. 1140 b 5.

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