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	<title>φρόνησις</title>
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	<description>"Se você tem vivido em desespero, então o que mais você ganhe ou perca, para você tudo está perdido." KIERKEGAARD</description>
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		<title>φρόνησις</title>
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		<title>Zen &#8211; O sabor do zen</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 00:41:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Minagawa Shunzaemon, célebre poeta muito apegado à rima e adepto do zen, ouviu falar num famoso mestre zen, Ikkyu, chefe do templo de Daitoku-ji, situado na região dos campos violeta. Desejando tornar-se seu discípulo, foi visitá-lo. À entrada do templo, entabularam o diálogo.
Ikkyu perguntou:
- Quem és tu?
- Um budista &#8211; respondeu Minagawa
- De onde vens?
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Minagawa Shunzaemon, célebre poeta muito apegado à rima e adepto do zen, ouviu falar num famoso mestre zen, Ikkyu, chefe do templo de Daitoku-ji, situado na região dos campos violeta. Desejando tornar-se seu discípulo, foi visitá-lo. À entrada do templo, entabularam o diálogo.<br />
Ikkyu perguntou:<br />
- Quem és tu?<br />
- Um budista &#8211; respondeu Minagawa<br />
- De onde vens?<br />
- Da vossa província&#8230;<br />
- Ah!&#8230; E que tem acontecido ali nos últimos dias?<br />
- Os corvos crocitam, os pardais chilream.<br />
- E onde crês estar agora?<br />
- Nos campos violeta.<br />
- Por quê?<br />
- As flores, essas glórias da manhã&#8230; o áster, o crisântemo, o açafrão&#8230;<br />
- E quando murcham?<br />
- É Myiagino (campo decantado pela beleza das flores de outono)<br />
- Que acontece nesses campos?<br />
- Ali flui o rio, varrido pelo vento.<br />
Estupefato ao ouvir tais palavras, que tinham o sabor do zen, Ikkyu levou-o para seu quarto e ofereceu-lhe chá. Em seguida compôs, de improviso, os seguintes versos:</p>
<p>&#8221; Um prato delicado eu quisera te dar,<br />
Mas ai de mim, o zen nada pode ofertar&#8230;&#8221;</p>
<p>Respondeu o visitante:</p>
<p>&#8221; O espírito que só pode oferecer-me o nada<br />
é o vazio original<br />
Iguaria delicada entre as mais &#8220;</p>
<p>Profundamente comovido, o mestre concluiu:<br />
- Meu filho, aprendeste muito !!!</p>
<p>Texto retirado de <a href="http://contos-zen.blogspot.com/">http://contos-zen.blogspot.com/</a></p>
Posted in Budismo, Contos, Filosofia Oriental, Zen Tagged: Budismo, Ikkyu, Minagawa, Mu, Vazio, Zen <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projetophronesis.wordpress.com/1458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projetophronesis.wordpress.com/1458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projetophronesis.wordpress.com/1458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projetophronesis.wordpress.com/1458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projetophronesis.wordpress.com/1458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projetophronesis.wordpress.com/1458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projetophronesis.wordpress.com/1458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projetophronesis.wordpress.com/1458/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projetophronesis.wordpress.com/1458/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projetophronesis.wordpress.com/1458/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1458&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Zen &#8211; O som do calhau, o som do bambu</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 00:28:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dia em que Kyogen varria o jardim à frente do eremitério, rolou montanha abaixo um calhauzinho que foi bater num bambu. O som fê-lo despertar e ele, assim, obteve o satori perfeito.
No rinzai, é costume dizer que o satori chega de repente. Mas o que é o satori? Antes dessa experiência, ele alimentara sempre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1455&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Um dia em que Kyogen varria o jardim à frente do eremitério, rolou montanha abaixo um calhauzinho que foi bater num bambu. O som fê-lo despertar e ele, assim, obteve o satori perfeito.<br />
No rinzai, é costume dizer que o satori chega de repente. Mas o que é o satori? Antes dessa experiência, ele alimentara sempre uma dúvida. Dia após dia, não se sentia satisfeito. Seu mestre, Issan, lhe dizia:<br />
- És inteligente mas leste sutras em demasia. Tua inteligência do zen provém da memória dos sutras! Não podes obter o shiho (a transmissão, a certificação do mestre ao discípulo). Procura retornar ao período do teu nascimento, quando não podias compreender em que direção ficavam o leste e o oeste, e volta a falar-me nisso.<br />
Ele queimou incontinenti todos os seus livros, seus sutras, seus cadernos. Chorou. Deixou o dojo do mestre, foi para a montanha e passou a viver sozinho. Fez zazen sozinho durante um ano, dois anos. Um dia, escutando o som do bambu ferido por uma pedra, despertou de todo e suas dúvidas tiveram fim: &#8220;Fui estúpido até hoje&#8221;. Compôs um poema: &#8221; Tudo esqueci. Dei cabo das idéias que me atochavam o espírito. Minhas complicações tiveram fim.&#8221;<br />
Fez sampai na direção do mestre, Issan, e queimou incenso. Enviou o poema ao mestre, que disse: &#8220;Esse rapaz, meu discípulo, compreendeu&#8221;.<br />
E concedeu-lhe o shiho.<br />
Inspirado nessa história, Deichi fez um poema:<br />
&#8220;Pelo som de um choque<br />
Ele esqueceu todo seu saber&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">texto retirado de: <a href="http://contos-zen.blogspot.com/">http://contos-zen.blogspot.com/</a></p>
Posted in Budismo, Contos, Filosofia Oriental, Zen Tagged: Conto, Deichi, Kyogen, satori <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projetophronesis.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projetophronesis.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projetophronesis.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projetophronesis.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projetophronesis.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projetophronesis.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projetophronesis.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projetophronesis.wordpress.com/1455/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projetophronesis.wordpress.com/1455/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projetophronesis.wordpress.com/1455/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1455&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Koan &#8211; Bom gosto</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 00:21:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro koan. Um mestre oferece um melão a um discípulo.
- Que te parece o melão? &#8211; pergunta-lhe. &#8211; Tem bom gosto?
- Sim, sim ! Muito bom gosto! &#8211; ouve o discípulo.
O mestre faz então outra pergunta:
- O que é que tem bom gosto, o melão ou a língua?

(Para virar um koan, recortei o começo de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1451&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Outro koan. Um mestre oferece um melão a um discípulo.<br />
- Que te parece o melão? &#8211; pergunta-lhe. &#8211; Tem bom gosto?<br />
- Sim, sim ! Muito bom gosto! &#8211; ouve o discípulo.<br />
O mestre faz então outra pergunta:<br />
- O que é que tem bom gosto, o melão ou a língua?</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">(Para virar um koan, recortei o começo de um conto retirado de</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://contos-zen.blogspot.com/">http://contos-zen.blogspot.com/</a>)</p>
Posted in Budismo, Filosofia Oriental, Koan, Zen Tagged: Bom gosto, Koan <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projetophronesis.wordpress.com/1451/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projetophronesis.wordpress.com/1451/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projetophronesis.wordpress.com/1451/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projetophronesis.wordpress.com/1451/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projetophronesis.wordpress.com/1451/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projetophronesis.wordpress.com/1451/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projetophronesis.wordpress.com/1451/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projetophronesis.wordpress.com/1451/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projetophronesis.wordpress.com/1451/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projetophronesis.wordpress.com/1451/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1451&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A fenomenologia de Husserl – o caminho até sua ciência.</title>
		<link>http://projetophronesis.wordpress.com/2009/12/09/a-fenomenologia-de-husserl-%e2%80%93-o-caminho-ate-sua-ciencia/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 21:05:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Introdução:

Neste trabalho me proponho a mostrar ao leitor um percurso diferente de demonstração da fenomenologia. Primeiramente, mostro um aspecto geral da fenomenologia de Husserl, a ciência das essências. E, como ponto de reflexão principal, exponho o “desenvolver histórico”, como Descartes, os empiristas, em especial Hume, e até Kant deram, de várias formas, motivos para se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1445&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><strong>Introdução:</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Neste trabalho me proponho a mostrar ao leitor um percurso diferente de demonstração da fenomenologia. Primeiramente, mostro um aspecto geral da fenomenologia de Husserl, a ciência das essências. E, como ponto de reflexão principal, exponho o “desenvolver histórico”, como Descartes, os empiristas, em especial Hume, e até Kant deram, de várias formas, motivos para se aproximar ou manter a devida distância para, então, se construir a fenomenologia husserliana que conhecemos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><strong>Aspectos gerais da fenomenologia de Husserl.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O movimento de pensamento conhecido como fenomenológico está ligado estreitamente a seu principal representante Edmund Husserl (1859-1938). Este pensamento é posto no interior da rediscussão das concepções filosóficas positivistas, e atentos ao desenvolvimento do positivismo, da matéria e das ciências histórico-sociais, eles, os fenomenólogos, os submetem à crítica sua epistemologia e sua confiança pela ciência<a href="#_ftn1">[1]</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">A fenomenologia tem por palavra-de-ordem o <em>retorno às próprias coisas</em>, se propõe a ir além dos sistemas construídos no ar.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">A expressão ´fenomenológica´ significa antes de mais nada um conceito de método (&#8230;). O termo expressa um lema que poderia ser assim formulado: voltemos às próprias coisas! E isso em contraposição às construções desfeitas no ar e às descobertas casuais, em contraposição à aceitação de conceitos só aparentemente justificados e aos problemas aparentes que se impõem de uma geração à outra como verdadeiros problemas.<a href="#_ftn2">[2]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Esta filosofia se sustenta partindo da base de <em>dados indubitáveis </em>para neles construir o edifício filosófico. “S<em>em evidência, não há ciência” </em>diria Husserl nas Investigações lógicas, então na fenomenologia se procura <em>evidências estáveis. </em>“<em>Os limites da evidência apodítica representam os limites do nosso saber. Assim, é preciso buscar coisas manifestas, fenômenos tão evidentes que não possam ser negados”<a href="#_ftn3">[3]</a>.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Portanto, a fenomenologia ainda procura tais coisas manifestas ou evidentes através da descrição dos “fenômenos” que se anunciam e apresentam à consciência depois da <em>epoché</em>. E este ponto de aproximação da <em>epoché </em>dos fenomenólogos, o resíduo fenomenológico, é encontrado na consciência: “<em>a existência da consciência é imediatamente evidente”<a href="#_ftn4">[4]</a> .</em></p>
<p style="text-align:justify;">A fenomenologia, a partir dessa evidência, já que é uma ciência de essências e não de fatos, pretende descrever os <em>modos típicos </em>como as coisas e os fatos se apresentam à consciência, ou seja, as <em>essências eidéticas</em>. Naturalmente, esta fenomenologia é a ciência das essências.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Eis, portanto, o que a fenomenologia pretende ser: ciência, fundamentada estavelmente, voltada à análise e à descrição das essências. Com base nisso, podemos compreender como a fenomenologia se distingue da análise sicológica ou da análise científica. Diferentemente do psicólogo, o fenomenólogo não manipula dados de fato, mas essências; não estuda fatos particulares, senão idéias universais.<a href="#_ftn5">[5]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A fenomenologia não se importa pelos casos particulares como atitudes morais desta ou daquela pessoa, mas sobre a essência da moral. A consciência é sempre consciência de alguma coisa &#8211; ou seja, é “intencional”<a href="#_ftn6">[6]</a> – que se apresenta de modo típico – a essência eidética.</p>
<p style="text-align:justify;">Neste ponto, esta ciência das essências poderia tomar dois rumos: o idealismo ou o realismo. Husserl, sobretudo o último Husserl, tomará o caminho do idealismo. “<em>Assim, o pensador que estabeleceu como programa da fenomenologia o do retorno às próprias coisas, no fim se encontrará com a realidade única que é a consciência”<a href="#_ftn7">[7]</a>. </em></p>
<p style="text-align:justify;">Mas, quais foram as influências que sofreu Husserl?</p>
<p style="text-align:justify;">Isto desenvolveremos a partir de agora.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>A origem; o desenvolver histórico; e a construção da fenomenologia:</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Em suas Meditações cartesianas, Husserl diz aos ouvintes de sua conferência em homenagem à filosofia francesa que “a fenomenologia quase poderia ser chamada de um neocartesianismo”. Quase a não ser o fato de que a fenomenologia “se viu obrigada a rejeitar quase todo o conteúdo doutrinal conhecido do cartesianismo, pela razão mesma de que deu um desenvolvimento radical a certos temas cartesianos”<a href="#_ftn8">[8]</a>. Husserl tem para com Descartes uma admiração, julgando ser o francês, pai fundador do “subjetivismo transcendental” inaugurado nas <em>Meditações. </em>Descartes descobre o <em>ego cogito </em>e se ele se interroga acerca da natureza desse <em>ego, </em> é para responder se: “sou uma mente ou inteligência ou intelecto”, quer dizer, para interpreta-lo como um “fragmento do mundo”. As <em>Meditações </em>são uma reconquista do “fora” a partir do “dentro. Mas Descartes com pressa demais em pôr o “mundo objetivo” ao abrigo do ceticismo, não pressentiu isso e de sua filosofia só resta a convicção de que é preciso “voltar aos fundamentos originários de todo conhecimento na subjetividade transcendental”<a href="#_ftn9">[9]</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">Husserl não poupa elogios aos racionalistas modernos, que herdaram a idéia de <em>Wissenchaft, </em>herdada dos platonismo. Mas pouca coisa ajuda com aquilo que lhe falta: uma teoria do conhecimento digna desse nome. O que faz Husserl se perguntar: “c<em>omo falar, com efeito, em teoria do conhecimento, quando os produtos do saber. Qualquer que seja o estágio em que se situem (juízos empíricos, ciências, proposições a priori etc.), são considerados simplesmente como dados – de tal modo que o sentido deles não requer nenhuma elucidação sistemática?”<a href="#_ftn10">[10]</a></em> Se prevalecia  a ideia de que todas essas formações já estavam disponíveis, não se atentavam a levar em conta que esses fenômenos deveriam ser estudados como fenômenos.<a href="#_ftn11">[11]</a> Kant tão pouco mostrou luz sobre os prodigiosos recursos metodológicos do <em>ego cogito, </em>pois está demasiado ocupado com as ciências positivistas em seu direito, para só dedicar seu tempo a seu respeito enquanto são configurações de conhecimento<em>.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Os problemas transcendentais dele , em sua forma historicamente condicionada, não se assentam, como a claridade última do problema aqui o exige, sobre a base primitiva de toda investigação transcendental: sobre a base da subjetividade fenomenológica.<a href="#_ftn12">[12]</a></p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Aí se mostra a distância entre o pensamento de Husserl e o de Kant. O tutor de Kant ainda diria que o pensamento do discípulo nada tem a ver com a inspiração fenomenológica e que o ele inicia é um “subjetivismo transcendental de uma nova espécie”<a href="#_ftn13">[13]</a>.<strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Esta cegueira à “esfera egológica” impede cada vez mais a fundação sistemática do saber. De Descartes a Kant a despeito de sua exigência de rigor, continua-se aquém da tarefa que Platão atribuiu à dialética: “<em>não admitir nenhum saber do qual não seja possível  prestar contas (Rechenschaft geben) em virtude de princípios originários primeiros e perfeitamente evidentes</em>”.<a href="#_ftn14">[14]</a> Mas não seria exato dizer que o racionalismo não alcançou tal tarefa: a verdade é que não se interessou por ele seriamente (à exceção, talvez, de Leibniz). Porém, o racionalismo apenas pôde ser aparente ao fato de fundar uma ciência, tendo como “fundar” justificar integralmente suas pretensões.  De Descartes a Kant não se vê o ensinamento de que maneira as idealidades e seus encadeamentos se oferecem e impõe a nós. Este é o efeito do segundo bloqueio que atinge o racionalismo moderno.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Em primeiro lugar, esse racionalismo desconhece o <em>ego cogito </em> como única fonte possível de toda validação. Em segundo lugar, ele não sente necessidade de validar a <em>objetividade como tal</em> e por todos os seus tipos.<a href="#_ftn15">[15]</a></p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">O Ser-objeto é algo evidentemente “bem conhecido” e, por isso, não é alvo de maiores investigações. Assim, impede-se toda fundação no sentido da clarificação última e integral, que Husserl chama de <em>objetivismo </em>e traça a divisão da filosofia moderna.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">No seu sentido original, toda a filosofia moderna, como ciência universal de fundação última, é, ao menos depois de Kant e Hume, um único combate entre duas idéias da ciência: a ideia de uma filosofia objetivista no solo do mundo dado de antemão (vorgegebene Welt) e a de uma filosofia no solo de uma subjetividade absoluta, transcendental [...].<a href="#_ftn16">[16]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Mas de onde está a causa de toda esta falta de curiosidade? Husserl responde: da inatenção à objetividade dos elementos ideais. O mesmo ocorre com Kant quanto à exposição que traça da lógica formal, que o faz escapar do problema de como as objetividades ideais obtêm o sentido-de-ser de objetos (den Seinssinn von “Objekten” gewinnen), diante da contingência dos atos e dos sujeitos. Daí outras questões se fará Husserl com a necessidade de tematizar o <em>objeto </em>como <em>cogitatum </em>para decifrar o sentido-de-ser que lhe é próprio. Mas para chegar lá “<em>é preciso ainda, decerto, ter reconhecido que há objetos idéias: eis a preliminar indispensável”<a href="#_ftn17">[17]</a>, </em> e eis porque as suas <em>Investigações lógicas </em> não alçaram vôo “de maneira contingente” e, ainda, em razão da forte corrente “antiplatônica”<a href="#_ftn18">[18]</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">O preço deste preconceito foi o <em>Seinssinn “Objekt”</em>, a presença de algo como “mundo objetivo” não ser nenhum <em>enigma. </em>Nem Descartes abalou tal concepção, tendo, segundo Husserl, depois de milhares de anos, só Berkeley e Hume, o empirista e o cético, sendo os pioneiros da fundação radical. Aqui Husserl reconhece sua dívida para com seus antecessores.</p>
<p style="text-align:justify;">Porém, a ideia de fenomenologia, para Husserl, estará sempre ligada a Descartes e Platão. Os empiristas nunca receberiam o título que Descartes recebe, o de que suas <em>Meditações </em>são “<em>o primeiro esboço de uma fenomenologia puta, embora sob a forma de uma fenomenologia puramente sensualista e empírica</em>”.<a href="#_ftn19">[19]</a> Só com Locke que a filosofia começa a se tornar <em>tecnicamente </em>fenomenologia; só então que ela tenta “<em>interpretar concretamente, numa universalidade sistemática, aquilo que tinha vindo à luz, embora fugidiamente, nas Meditações”.<a href="#_ftn20">[20]</a> </em>Vê-se, assim, “a tendência em direção a um método imanente” do empirismo inglês.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">[Locke] é o primeiro a procurar, partindo do <em>cogito </em>cartesiano, o caminho que leva a uma ciência do cogito [...] ele é o primeiro a compreender que é preciso reconduzir todo conhecimento às fontes intuitivas originárias na consciência, na experiência interna, e que é preciso elucida-lo a partir destas.<a href="#_ftn21">[21]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A egologia de Locke se apresenta com uma história da “alma” (entendida como região mundana). Ele admite a transcendência de um mundo  substancial, pondo de antemão a validade objetiva,, validade que ele deveria deixar se constituir unicamente na esfera do ego cogitans.<a href="#_ftn22">[22]</a> “<em>Esse parti-pris metafísico rapidamente aparece como incompatível com o método delineado pelo Ensaio – e cabe a Berkeley limitar expressamente a investigação acerca das transcendências ao campo dos dados imediatos: aos fenômenos”<a href="#_ftn23">[23]</a>. </em>Desta forma, “legitima permanentemente o empirismo” (<em>das bleibende Recht dês Empirismus):<a href="#_ftn24">[24]</a> </em>“<em>o esforço de ajuste à evidência, a vontade de descrever a coisa percebida como ela se dá”<a href="#_ftn25">[25]</a><a href="#_ftn26">[26]</a>. </em>Neste momento, se pode perdoar, ao menos um pouco, a “incurável miopia do empirismo”<a href="#_ftn27">[27]</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">Husserl defende o empirismo surpreendentemente, mas não se contradiz. Sua critica nas <em>Investigações lógicas </em>é do empirismo que trai o sentido específico dos conteúdos de conhecimento. Não é o método que desencaminha o empirismo, mas a infidelidade com ele, por isso Husserl procura defendê-lo dele mesmo<a href="#_ftn28">[28]</a>. O empirismo se mostra aparência dele mesmo, pois “<em>é somente em aparência que ele respeita seu princípio de não enunciar nada que não tenha tirado da intuição”;<a href="#_ftn29">[29]</a> </em>“<em>é somente em aparência que ele diz o sentido daquilo que vê, porque decidiu restringir o sentido a uma região do ente, e sua fenomenologia é filtrada por uma ontologia mutiladora”.<a href="#_ftn30">[30]</a> </em></p>
<p style="text-align:justify;">No entanto, trata-se de fenomenologia. O cogito enfim está aberto como campo de imanência e nada impede mais a interrogação sobre o sentido-de-ser das diferentes objetividades graças ao preconceito sensualista de Berkeley: confundir a “coisa” visada como sendo “idêntica” aos perfis sensoriais por meio das quais se anuncia.</p>
<p style="text-align:justify;">Em Kant seria em vão buscar uma subjetividade absoluta. Mas, se for preciso escolher entre o “naturalismo imanente” (Hume) e o “objetivismo” (Kant), que impede a filosofia transcendental de se tornar fenomenologia, antes o primeiro.  “<em>Hume dissolve o “eu idêntico” que Berkeley ainda conservava: no lugar de um ego mudanizado”.<a href="#_ftn31">[31]</a> </em>A Segunda Meditação mostra o desligamento de seu substrato metafísico.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">[Hume] foi o primeiro a levar a sério a atitude de Descartes, de se voltar para a interioridade pura desembaraçando radicalmente a alma, desde o início, de tudo o que dá a ela uma significação real mundana e pressupondo-a puramente como campo de percepções, impressões e idéias [...].<a href="#_ftn32">[32]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">e continua&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Ele foi o primeiro a compreender o problema concreto universal da filosofia transcendental [...]; foi o primeiro a ver a necessidade de estudar precisamente essas afirmações objetivas como formações de sua gênese, a fim de tornar compreensível, pelas suas origens últimas, o exato sentido-de-ser de tudo aquilo que existe para nós [...].</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O <em>Tratado </em>foi visto como uma investigação empírica, ninguém observou até o nascimento da fenomenologia os eventos que ocorriam nas esferas das percepções.</p>
<p style="text-align:justify;">No fim do Primeiro Livro, Hume, de certa forma, confessa seu fracasso como fenomenólogo.  Mas Husserl diz que era necessário que o projeto de Descartes fosse pervertido em solipsismo e que também o era que Hume fosse conduzido a essa “conseqüência monstruosa (<em>ungehewerliche Konsequenz</em>)”.<a href="#_ftn33">[33]</a> Mas por que Hume não pôde ser um fenomenólogo?</p>
<p style="text-align:justify;">Na Segunda Lição de <em>A idéia de Fenomenologia </em>(1907), talvez indique a resposta. Husserl quer provar que quando se descobre um enigma, o novo saber se encarregará de evitar os obstáculos de Hume, no caso, isto é, o “objetivismo” e o uso do transcendente como “já dado”.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Sem dúvida, <em>eu sei </em> desde sempre <em>que </em>possuo um saber do transcendente – e “nenhum homem sensato duvidará da existência do mundo”. Mas esse <em>factum (Daß) </em>deve permanecer, no caso presente, inteiramente fora do jogo, pois ele não poderia instruir-me acerca da possibilidade, acerca do <em>como </em> (Wie) desse conhecimento<a href="#_ftn34">[34]</a>(&#8230;) mas é precisamente essa possibilidade que é e sempre será enigmática, a menos que se torne patente, na clareza da evidência, que faz parte do conhecimento “alcançar um ser transcendente”.<a href="#_ftn35">[35]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Tal é a solução de Hume, com consciência dos seus riscos. Mas, uma vez que Hume constata sua falência, lhe resta apenas voltar à ingenuidade pré-filosófica? Não.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Se alguém [diz Hume] se acostumou a fazer considerações críticas sobre a incerteza e os estreitos limites da razão, ele não as esquecerá inteiramente quando voltar sua reflexão para outros assuntos: em todos os seus princípios e seus raciocínios filosóficos (não ouso dizer em sua conduta corrente) ele se mostrará diferente [...].<a href="#_ftn36">[36]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Tradução de Husserl: aquele que deixou o Daß (<em>factum) </em>de lado para buscar sem nenhum proveito o Wie (como)</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Deveria, se é conseqüente, renunciar também ao seu ponto de partida: ele deveria reconhecer que, nessa situação, o conhecimento do transcendente é impossível, que seu pretenso saber a esse respeito é um preconceito. O problema então já não será: como o conhecimento transcendente é possível? – mas como se pode explicar o preconceito que atribui ao conhecimento uma operação transcendente (transzendente Leistung): este é precisamente o caminho de Hume.<a href="#_ftn37">[37]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Mas, sobre isso, que é este cético? O cético é aquele que coloca as transcendências fora de circuito e as converte em niilismo, por incapacidade de fundar seu saber. Manter a devida distância será de extrema importância para o fenomenólogo.   Uma vez que só encontra no cético um precursor técnico, invoca uma linhagem espiritual</p>
<p style="text-align:justify;">O pensamento que rompe com o “objetivismo”, o empirismo, não pode se manter à altura do projeto transcendental. “<em>O “objetivismo” sanciona a indiferença perante o problema seguinte: de que maneita algo que é o produto de uma constituição de sentido pode no entanto valer como “objeto</em>”?  <em>E esse problema só pode ser motivado pelo reconhecimento da objetividade ideal: foi por falta de atenção a esta, e de reflexão sobre seu estatuto, que os filósofos permaneceram insensíveis ao enigma que é a transcendência em geral”.<a href="#_ftn38">[38]</a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Nenhum filosofia nega mais ferozmente os objetos ideais que o empirismo. De nenhuma experiência a “idéia abstrata” nos seria dada, segundo tipo de filósofo. Jamais teríamos consciência de uma idéia geral das coisas; de uma consciência-do-geral. Desconhece o fato de que o geral pode ser objeto de uma intuição evidente imediata. Para isto, sustenta que “a exigência de evidência só é satisfeita pelo recurso a um dado sensível. Ele vai, portanto, reclamar o indubitável de um <em>evento</em> ou <em>encontro. </em>E<em> </em>toda verificação de uma idéia seguirá o passo de reduzir-se à impressão, seu “<em>ens certum”. </em>Mas como tal impressão é vivida? O que nos ensina ela sobre si mesma? Como se faz para que seja nela que encontramos o dado-em-pessoa? O empirista, para isto, tem um silêncio ou um absurdo: a impressão é mais forte que a idéia, mais vívida. Daí não sabemos o que faz da impressão, uma “impressão”.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">De que lhe serve então, então, considerar os fenômenos, se não consegue sequer se interrogar sobre o sentido que especifica cada representação? Se já transformou esses fenômenos em coisas “que <em>são, </em>mas nada significam, nada visam, nada trazem em si de sentido (<em>tragen nichts in sich non Sinn)”.</em> <a href="#_ftn39">[39]</a>Assim, a investigação fenomenológica que não chega a acontecer é substituída por uma descrição fenomenista.<a href="#_ftn40">[40]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">É perdoável a naturalização da vida da consciência, mas não o erro de tematizar os fenômenos e, em contra partida, julgar ter acertado tratá-los como eventos. Um momento que Husserl acusa  Hume de inconseqüência é quando: “<em>levado por seu ardor nominalista, Hume, para se fechar melhor em seu sensualismo, teria decidido passar em silêncio a problemática do sentido e descrever os fenômenos sem se interessar por aquilo que eles apresentam e pela maneira como a apresentam”.<a href="#_ftn41">[41]</a> </em>Indo contra a noção de <em>phaínesthai </em>(fenomenologia)<em>. </em>O operador, para o empirista, é desprovido de valor. O que há são conexões entre conteúdos indiferentes, ou seja,</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">O empirista não aceita a distinção inaugural das <em>Logische Untersuchungen </em>(Investigações Lógicos) entre os dois modos do <em>ser-signo: </em>o índice (<em>Anzeige) </em>e a expressão ou signo significante (<em>Ausdruck, bedeutsame Zeichen), </em>pela qual “exponho algo de maneira expressiva” a um receptor que não precisa senão <em>ouvir </em>e não <em>interpretar </em>(<em>deuten).<a href="#_ftn42">[42]</a></em>No universo empirista, nada há além de índices (mesmo o retrato que vejo é índice de meu amigo ausente, da mesma maneira que “o estigma é o signo do escravo; a bandeira, o signo da nação”), e não se faz outra coisa senão interpretar. Jamais existe o momento em que o dado “já não vale por si mesmo”, mas não faz outra coisa que “tornar representável (<em>vorstelling machen) </em>um objeto diferente”.<a href="#_ftn43">[43]</a></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;">E a melhor prova de que a absorção do signo no índice pertence à essência do empirismo é esta:</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Onde dizemos que um estado-de-coisas A é um indicação de um estado-de-coisas B, que o ser de um indica que o outro também existe, nós podemos, em nossa expectativa de encontrar realmente também esse último, ter uma certeza inteira. Mas, falando dessa maneira, não queremos dizer que haja uma relação de conexão evidente (<em>einsichtig), </em>objetivamente necessária, entre A e B; aqui, os conteúdos de juízo não se encontram para nós numa relação de premissas a conclusões.<a href="#_ftn44">[44]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">“<em>Estas linhas determinam admiravelmente a relação de ‘causação’ em Hume, isto é, determinam o único sentido que o empirismo pode admitir para a idéia de ‘conexão necessária”.<a href="#_ftn45">[45]</a> </em>Assim, por não reconhecer que um significado pertença por essência a um signo, jamais há de se encontrar, para estabelecer sua conexão com outro conteúdo, algo que <em>por natureza </em> se anteciparia ou projetaria na impressão.<a href="#_ftn46">[46]</a> Dadas tais condições Hume reconheceria que a “subjetividade” de Husserl faz falta ao “sujeito” do qual ele fala: esta é a condição de seu empirismo. “<em>A experiência é, portanto, bem exatamente o meio que substitui a subjetividade constituinte – o horizonte sob o qual os signos são por princípio liberados de toda função representativa. Em compensação, a ilusão representativa pretende nos dispensar da experiência, criando ligações-de-essência das quais a subjetividade constituinte pretende dar uma leitura sistemática”.<a href="#_ftn47">[47]</a> </em></p>
<p style="text-align:justify;">Por ter a noção de sujeito pouco característica do idealismo fenomenológico, Husserl critica Hume por ter reconstruído o ego como ficção, mas não por tê-lo feito desaparecer como substância. Este foi, na realidade, seu lance de gênio: “<em>ter reduzido o ego a um fluxo de vivências, a transições de percepções (&#8230;) Foi graças a isso que restituiu o verdadeiro sentido à “interioridade” cartesiana e tornou possível uma fundação radical”.<a href="#_ftn48">[48]</a> </em></p>
<p style="text-align:justify;">Ainda diz-nos Husserl sobre Hume:</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;padding-left:30px;">Havia preenchido a condição indispensável para que fosse empreendida um investigação, sem preconceitos, dos fenômenos. Esta requer, porém, uma outra coisa: é preciso ainda saber que o <em>ego cogito </em>é o único espaço no qual se pode desenvolver uma ciência eidética pura.<a href="#_ftn49">[49]</a> A convicção de que o <em>ego </em>não seja nem uma alma, nem qualquer figura do sujeito insular, representa um progresso essencial – mas com a condição de que se determine essa não-coisa como um código de legalidades e de constrangimentos essenciais que governe todas as figuras da objetividade.<a href="#_ftn50">[50]</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A fundação absoluta do conhecimento só se é possível com os caracteres essenciais gerais (<em>Wesenseigenheiten), </em>as legalidades essenciais (<em>Wesensgesetzlichkeiten)</em> como princípios de todas as elucidações ulteriores.<a href="#_ftn51">[51]</a> Este <em>phaínesthai </em>não é de longe um efeito de superfície, “ele é <em>expressivo </em> de ponta a ponta e desde sempre – que ele é, por definição, um conjunto de <em>signos significantes -, </em>o “abecedário”, como gosta de dizer Husserl, de tudo aquilo que jamais poderemos saber”.<a href="#_ftn52">[52]</a></p>
<p style="text-align:justify;">Assim, apesar das desavenças, Hume permaneceu para Husserl um ancestral excêntrico, no qual jamais entreviu o inimigo mortal da “<em>ratio”. </em>Os limites de Hume e seus absurdos foram uma aula para onde Husserl deveria se distanciar para fundar sua filosofia da essência. Mas “<em>sem dúvida, como saber radicalmente novo, anti-objetivista, como recomeço integral, a fenomenologia pode aceitar esse “aliado objetivo”, que lhe iguala em arrojo. Mas, como fenômeno-logia, em que extravagante companhia ela se acha colocada”.<a href="#_ftn53">[53]</a></em></p>
<hr size="1" />
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref1">[1]</a> Por isto,  o certo contato da fenomenologia com o neokantismo, o historicismo e a filosofia da vida.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref2">[2]</a> HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. In: REALE, Giovanni. História da Filosofia. Livro 3 p. 554</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref3">[3]</a> REALE, Giovanni. História da Filosofia. Livro 3. p. 554</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref4">[4]</a> REALE, Giovanni. História da Filosofia. Livro 3. p. 554</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref5">[5]</a> REALE, Giovanni. História da Filosofia. Livro 3. p. 555</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref6">[6]</a> O caráter intencional da consciência é primeiramente citado em “A psicologia do ponto de vista empírico” de 1874, escrito pelo padre católico Brentano, professor de Husserl em Viena.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref7">[7]</a> REALE, Giovanni. História da Filosofia. Livro 3. p. 555-6</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref8">[8]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 253</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref9">[9]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 254</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref10">[10]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 254</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref11">[11]</a> “<em>Nada de surpreendente nisso, já que o racionalismo, seguindo Descartes, transformava subitamente numa psiché justaposta às outra sregiões do ente aquilo que é, na realidade, o campo da única tópica capaz de clarificar, em última estância, todos os conteúdos do conhecimento.” </em>LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 254</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref12">[12]</a> HUSSERL, E, Formale und transzendentale Logik (FTL) [Lógica formal e lógica transcendental]. Halle: Max Niemeyer, 1929, p. 2234; rtad. Fesa Suzanne Bachelard. Paris: PUF, 1957, p. 353.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref13">[13]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 255</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref14">[14]</a> HUSSERL, E, Formale und transzendentale Logik (FTL) [Lógica formal e lógica transcendental]. Halle: Max Niemeyer, 1929, p. 3; trad. Fesa Suzanne Bachelard. Paris: PUF, 1957, p. 7.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref15">[15]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 256</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref16">[16]</a> HUSSERL, E, Formale und transzendentale Logik (FTL) [Lógica formal e lógica transcendental]. Halle: Max Niemeyer, 1929, p. 212; trad. Fesa Suzanne Bachelard. Paris: PUF, 1957, p. 235.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref17">[17]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 257</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref18">[18]</a> HUSSERL, E, Formale und transzendentale Logik (FTL) [Lógica formal e lógica transcendental]. Halle: Max Niemeyer, 1929, p. 228-9; trad. Fesa Suzanne Bachelard. Paris: PUF, 1957, p. 345.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref19">[19]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 157; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 225.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref20">[20]</a> HUSSERL, E. <em>Die Krisis der europäischen Wissenschafy un die transzendentale Phënomenalogie </em>(Krisis) [A crise da ciência europeia e a fenomenologia transcendetal], in <em>Husserliana.</em> Haia: M. Nijhoff, 1962, v. 6, p. 437; trad. Francesa G. Granel. Paris: Gallimard, 9162, p.484.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref21">[21]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 144; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 208.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref22">[22]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 95-97; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 135-7.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref23">[23]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 259</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref24">[24]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 146; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 211</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref25">[25]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 259</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref26">[26]</a> Ou seja, não fazer com que a aparência do sensível fosse uma imagem enfraquecida de algo fora.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref27">[27]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 259</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref28">[28]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 148; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 213</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref29">[29]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 136; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 194</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref30">[30]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 260</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref31">[31]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 260</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref32">[32]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 158; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 342</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref33">[33]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 262</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref34">[34]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 168; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 242</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref35">[35]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 263</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref36">[36]</a> HUME, D., Diálogos sobre a religião natural. Primeira Parte [Utiliza-se aqui a tradução para o português de José de Almeida Marques. São Paulo: Martins Fontes, 1992, PP. 15-6 (N.T.)]</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref37">[37]</a> E. Husserl, <em>Die Idee der Phanomenologie, </em>p. 38; trad. Cit., p. 63.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref38">[38]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 265</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref39">[39]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 163; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 235.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref40">[40]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 266</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref41">[41]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 267</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref42">[42]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 163; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 235 § 4</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref43">[43]</a> HUSSERL, E. <em>Logische Untersunchungen, </em>Primeira Investigação, § 5.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref44">[44]</a> HUSSERL, E. <em>Logische Untersunchungen, </em>Primeira Investigação, § 3.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref45">[45]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 268</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref46">[46]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 269</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref47">[47]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 269</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref48">[48]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 270</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref49">[49]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 139-40; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 198</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref50">[50]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 271</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref51">[51]</a> HUSSERL, E.Erste Philosophie (Eph) [Filosofia Primeira], I, in <em>Husserliana</em>. Haia: M. Nijhoff, 1956, V. VII, p. 170; trad. Francesa A. L. Kelkel. Paris: PUF, 1970, p. 244</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref52">[52]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 272</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref53">[53]</a> LEBRUN, Gerard. A filosofia e sua história. Editora Cosacnaify. P. 272</p>
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		<item>
		<title>Descartes &#8211; Os 4 preceitos da lógica do Método</title>
		<link>http://projetophronesis.wordpress.com/2009/12/05/descartes-os-4-preceitos-da-logica-do-metodo/</link>
		<comments>http://projetophronesis.wordpress.com/2009/12/05/descartes-os-4-preceitos-da-logica-do-metodo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 21:52:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Descartes]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Moderna]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria do Conhecimento]]></category>
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Em lugar do grande número de preceitos que compõe a lógica, achei que me seriam suficientes os quatro seguintes, uma vez que tomasse a firme e inalterável resolução de não deixar uma só vez de observá-los.

1. O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1441&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Em lugar do grande número de preceitos que compõe a lógica, achei que me seriam suficientes os quatro seguintes, uma vez que tomasse a firme e inalterável resolução de não deixar uma só vez de observá-los.</p>
<ol style="text-align:justify;">
<li><strong>1. </strong>O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, de evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum de duvidar.</li>
<li><strong>2. </strong>O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las.</li>
<li><strong>3. </strong>O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de reconhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros.</li>
<li><strong>4. </strong>E o último, o de efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais eu tivesse a certeza de nada omitir.</li>
</ol>
<p style="text-align:justify;">Essas longas séries de razões, todas simples e fáceis, que os geômetras costumam utilizar para chegar às suas mais difíceis demonstrações, tinham-me dado a oportunidade de imaginar que todas as coisas com a possibilidade de serem conhecidas pelos homens seguem0se umas às outras do mesmo modo e que, ma vez que nos abstenhamos apenas de aceitar por verdadeira qualquer uma que não o seja, e que observemos sempre a ordem necessária para deduzi-las umas das outras, não pode existir nenhuma delas tão afastada a que não se chegue no final, nem tão escondida não se descubra.</p>
<p>Recorte feito de: DESCARTES, René. Discurso do método, Editora Nova Cultural. P. 49-50</p>
Posted in Descartes, Filosofia Moderna, Teoria do Conhecimento Tagged: Composto, Descartes, Lógica, Método, Razão, Simples <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projetophronesis.wordpress.com/1441/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projetophronesis.wordpress.com/1441/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projetophronesis.wordpress.com/1441/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projetophronesis.wordpress.com/1441/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projetophronesis.wordpress.com/1441/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projetophronesis.wordpress.com/1441/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projetophronesis.wordpress.com/1441/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projetophronesis.wordpress.com/1441/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projetophronesis.wordpress.com/1441/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projetophronesis.wordpress.com/1441/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1441&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Discurso do Método</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>O Zen é intransitivo</title>
		<link>http://projetophronesis.wordpress.com/2009/11/30/o-zen-e-intransitivo/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 11:34:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Oriental]]></category>
		<category><![CDATA[Zen]]></category>
		<category><![CDATA[Coen]]></category>
		<category><![CDATA[Zazen]]></category>

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Zazen literalmente significa Sentar Zen. Zen é uma palavra que vem do Sânscrito Dhyana ou Jhana e significa um estado meditativo profundo. Geralmente não chamamos o Zazen de meditação, pois o verbo meditar é transitivo direto, ou seja, requer um objeto. Meditar sobre a vida, meditar algo. Enquanto que o Zen é intransitivo. Não há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1434&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div style="text-align:center;"><img src="http://paraserzen.blogspirit.com/media/02/00/388348265.jpg" alt="Monja-Coen-MG-web.jpg" /></div>
<p style="text-align:justify;"><em>Zazen literalmente significa Sentar Zen. Zen é uma palavra que vem do Sânscrito Dhyana ou Jhana e significa um estado meditativo profundo. Geralmente não chamamos o Zazen de meditação, pois o verbo meditar é transitivo direto, ou seja, requer um objeto. Meditar sobre a vida, meditar algo. Enquanto que o Zen é intransitivo. Não há objeto de meditação. Até o sujeito desaparece. E quando isso acontece o Caminho se manifesta em sua plenitude.</em></p>
<p><strong>Monja Coen</strong> (de um folheto do Retiro <em>O Caminho Zen</em>)</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Nota do blog</strong>: zazen, foto da Monja Coen num retiro em Minas Gerais; se desejar ler mais por favor acesse: <a href="http://www.monjacoen.com.br/" target="_blank">http://www.monjacoen.com.br/</a></p>
<p>Retirado do blog:<a href="http://paraserzen.blogspirit.com/"> http://paraserzen.blogspirit.com/</a></p>
Posted in Budismo, Filosofia Oriental, Zen Tagged: Coen, Zazen, Zen <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projetophronesis.wordpress.com/1434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projetophronesis.wordpress.com/1434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projetophronesis.wordpress.com/1434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projetophronesis.wordpress.com/1434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projetophronesis.wordpress.com/1434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projetophronesis.wordpress.com/1434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projetophronesis.wordpress.com/1434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projetophronesis.wordpress.com/1434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projetophronesis.wordpress.com/1434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projetophronesis.wordpress.com/1434/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1434&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Ciência &#8211; Diante da impossibilidade de justificação do princípio indutivo em bases lógicas ou experimentais, quais as possíveis respostas ao problema da indução?</title>
		<link>http://projetophronesis.wordpress.com/2009/11/28/ciencia-diante-da-impossibilidade-de-justificacao-do-principio-indutivo-em-bases-logicas-ou-experimentais-quais-as-possiveis-respostas-ao-problema-da-inducao/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 22:12:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[cético]]></category>
		<category><![CDATA[Chalmers]]></category>
		<category><![CDATA[Hume]]></category>
		<category><![CDATA[Indutivismo]]></category>
		<category><![CDATA[Princípio]]></category>

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“Seus programas técnicos levaram a avanços interessantes dentro da teoria da probabilidade, mas nenhum novo  insight foi acrescentado sobre a natureza da ciência. Seu programa degenerou.”[1]
Resposta &#8211; Cética.
“Podemos aceitar que a ciência se baseia na indução e aceitar também a demonstração de Hume de que a indução não pode ser justificada por apelo à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1431&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align:justify;">“Seus programas técnicos levaram a avanços interessantes dentro da teoria da probabilidade, mas nenhum novo <em> insight </em>foi acrescentado sobre a natureza da ciência. Seu programa degenerou.”<a href="#_ftn1">[1]</a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Resposta &#8211; Cética.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">“Podemos aceitar que a ciência se baseia na indução e aceitar também a demonstração de Hume de que a indução não pode ser justificada por apelo à lógica ou à experiência, e concluir que a ciência não pode ser justificada racionalmente. O próprio Hume adotou uma posição desse tipo. Ele sustentava que crenças em leis e teorias nada mais são que hábitos psicológicos que adquirimos como resultado de repetições das observações relevantes.”<a href="#_ftn2">[2]</a><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Reposta &#8211; Racionalidade do princípio.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">“Uma segunda resposta é enfraquecer a exigência indutivista de que todo o conhecimento não-lógico deve ser derivado da experiência e argumentar pela racionalidade do princípio da indução sobre alguma outra base. Entretanto, ver o princípio de indução, ou algo semelhante, como “óbvio” não é aceitável.”<a href="#_ftn3">[3]</a> Pois, o “óbvio” depende de nossa educação e é particular.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Resposta &#8211; Negação de que a ciência se baseie em indução.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">“O problema da indução será evitado se pudermos estabelecer que a ciência não envolve indução. Os falsificacionistas, notadamente Karl Popper, tentam fazer isso.”<a href="#_ftn4">[4]</a></p>
<hr size="1" /><a href="#_ftnref">[1]</a> CHALMERS, A. F. O que é a ciência afinal? 2009. Editora Brasiliense. P. 42</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ftnref">[2]</a> CHALMERS, A. F. O que é a ciência afinal? 2009. Editora Brasiliense. P. 42</p>
<p><a href="#_ftnref">[3]</a> CHALMERS, A. F. O que é a ciência afinal? 2009. Editora Brasiliense. P. 43</p>
<p><a href="#_ftnref">[4]</a> CHALMERS, A. F. O que é a ciência afinal? 2009. Editora Brasiliense. P. 43</p>
Posted in Ciência Tagged: cético, Chalmers, Ciência, Hume, Indutivismo, Princípio <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projetophronesis.wordpress.com/1431/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projetophronesis.wordpress.com/1431/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projetophronesis.wordpress.com/1431/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projetophronesis.wordpress.com/1431/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projetophronesis.wordpress.com/1431/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projetophronesis.wordpress.com/1431/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projetophronesis.wordpress.com/1431/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projetophronesis.wordpress.com/1431/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projetophronesis.wordpress.com/1431/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projetophronesis.wordpress.com/1431/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1431&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Paulo Übermensch</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Conto &#8211; A prisão dos conceitos &#8211; Beleza e Feiúra</title>
		<link>http://projetophronesis.wordpress.com/2009/11/24/conto-a-prisao-dos-conceitos-beleza-e-feiura/</link>
		<comments>http://projetophronesis.wordpress.com/2009/11/24/conto-a-prisao-dos-conceitos-beleza-e-feiura/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 10:52:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Oriental]]></category>
		<category><![CDATA[Buda]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dzongsar Khyentse Rinpoche]]></category>
		<category><![CDATA[Sidarta]]></category>

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		<description><![CDATA[
Sidarta tinha um discípulo leigo, um guerreiro chamado Manjushri, conhecido como alguém muito esperto que pregava peças. Entre os alunos queridos de Manjushri estava um monge muito diligente e respeitado, bem conhecido por sua &#8220;meditação da feiúra&#8221;, método prescrito &#8212; entre muitos outros &#8212; para aqueles que são guiados pelo desejo, que têm muita paixão. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1428&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h3></h3>
<div style="text-align:justify;">Sidarta tinha um discípulo leigo, um guerreiro chamado Manjushri, conhecido como alguém muito esperto que pregava peças. Entre os alunos queridos de Manjushri estava um monge muito diligente e respeitado, bem conhecido por sua &#8220;meditação da feiúra&#8221;, método prescrito &#8212; entre muitos outros &#8212; para aqueles que são guiados pelo desejo, que têm muita paixão. Isso envolve imaginar todos os seres humanos como sendo feitos de veias, cartilagem, intestinos e tal.</p>
<p>Manjushri decidiu testar o diligente monge usando seus poderes sobrenaturais. Ele se transformou em uma bela ninfa e apareceu para seduzí-lo.</p>
<p>Por algum tempo, o bom monge permaneceu incorruptível, sem mover nem um músculo. Mas Manjushri provou ser esmagadoramente sedutor, e o monge começou a cair no feitiço. Ele estava surpreso porque, durante muitos anos de meditação, resistiu com sucesso às mulheres mais bonitas de sua terra.</p>
<p>Chocado e desapontado consigo, o monge fugiu. Mas a ninfa o perseguiu, até que o exausto monge caiu no chão.</p>
<p>Assim que a mulher sedutora ia chegando, ele pensou: &#8220;É isso, essa bela garota agora vai me abraçar&#8221;. Fechou os olhos com força e esperou, mas nada aconteceu. Quando finalmente abriu os olhos, a ninfa havia se desfeito em pedaços e Manjushri apareceu, dando risada.</p>
<p>&#8220;Pensar que alguém é bonito é um conceito&#8221;, ele disse. &#8220;Se apegar a esse conceito te confina, te amarra em um nó e te aprisiona. Mas pensar que alguém é feio, isso também é um conceito, e isso também vai te amarrar&#8221;.</p>
<p>Dzongsar Khyentse Rinpoche (1961 ~)<br />
&#8220;What Makes You Not a Buddhist&#8221;</p></div>
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		<title>Conto Zen &#8211; A bicicleta</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 10:44:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia Oriental]]></category>
		<category><![CDATA[Zen]]></category>
		<category><![CDATA[Bicicleta]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Um mestre Zen viu cinco dos seus pequenos discípulos voltando das compras, pedalando suas bicicletas.
Quando eles chegaram ao monastério e largaram suas bicicletas, o mestre perguntou aos estudantes:
“Por que vocês andam com suas bicicletas?”
O primeiro discípulo disse:
“A bicicleta carrega, para mim, os sacos de batata. Estou feliz por não ter de carregá-los em minhas costas!”
O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1425&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Um mestre Zen viu cinco dos seus pequenos discípulos voltando das compras, pedalando suas bicicletas.<br />
Quando eles chegaram ao monastério e largaram suas bicicletas, o mestre perguntou aos estudantes:</p>
<p style="text-align:justify;">“Por que vocês andam com suas bicicletas?”</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro discípulo disse:</p>
<p style="text-align:justify;">“A bicicleta carrega, para mim, os sacos de batata. Estou feliz por não ter de carregá-los em minhas costas!”</p>
<p style="text-align:justify;">O mestre elogiou o primeiro aluno:</p>
<p style="text-align:justify;">“Você é um rapaz muito inteligente! Quando você crescer você não andará curvo como eu ando.”</p>
<p style="text-align:justify;">O segundo discípulo disse:</p>
<p style="text-align:justify;">“Eu adoro ver as árvores e os campos por onde passo!”</p>
<p style="text-align:justify;">O mestre elogiou o segundo discípulo:</p>
<p style="text-align:justify;">“Seus olhos estão abertos e você enxergará o mundo.”</p>
<p style="text-align:justify;">O terceiro discípulo disse:</p>
<p style="text-align:justify;">“Quando eu pedalo minha bicicleta eu fico feliz e cheio de &#8220;mio rengue quio” (energia).</p>
<p style="text-align:justify;">O mestre louvou o terceiro estudante:</p>
<p style="text-align:justify;">“Sua mente se expandirá com a suavidade de uma roda novamente centrada.”</p>
<p style="text-align:justify;">O quarto discípulo falou:</p>
<p style="text-align:justify;">“Pedalando minha bicicleta eu vivo em harmonia com todas os seres sencientes.”</p>
<p style="text-align:justify;">O mestre ficou feliz e disse ao quarto estudante:</p>
<p style="text-align:justify;">“Você pedala no caminho dourado da bondade.”</p>
<p style="text-align:justify;">O quinto aluno disse:</p>
<p style="text-align:justify;">“Eu pedalo minha bicicleta por pedalar”.</p>
<p style="text-align:justify;">O mestre sentou-se aos pés do quinto estudante e disse:</p>
<p style="text-align:justify;">“Sou seu discípulo.”</p>
<p style="text-align:justify;">Postado por Jeane Dal Bo.<br />
<a href="http://bossazen.blogspot.com/">http://bossazen.blogspot.com/</a></p>
Posted in Budismo, Contos, Filosofia Oriental, Zen Tagged: Bicicleta, Budismo, Conto, Zen <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projetophronesis.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projetophronesis.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projetophronesis.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projetophronesis.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projetophronesis.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projetophronesis.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projetophronesis.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projetophronesis.wordpress.com/1425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projetophronesis.wordpress.com/1425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projetophronesis.wordpress.com/1425/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1425&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Paulo Übermensch</media:title>
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		<title>Husserl – Investigações Lógicas – Capítulo 4 – Item 6/6 – Tradução Alianza Editorial</title>
		<link>http://projetophronesis.wordpress.com/2009/11/22/husserl-%e2%80%93-investigacoes-logicas-%e2%80%93-capitulo-4-%e2%80%93-item-66-%e2%80%93-traducao-alianza-editorial/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 19:15:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Übermensch</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fenomenologia]]></category>
		<category><![CDATA[Husserl]]></category>
		<category><![CDATA[Em si]]></category>
		<category><![CDATA[Ideal]]></category>
		<category><![CDATA[Lógica]]></category>
		<category><![CDATA[Significação]]></category>

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		<description><![CDATA[Significações “em si” e significações expressas.
 
Até agora temos preferentemente de significações que, como já disse o sentido normalmente relativo da palavra significação, são significações de expressões. Porém, não existe em si uma conexão necessária entre as unidades ideais, que de fato funcionam como significantes, e os signos a que estão unidas, isto é, mediante [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1420&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Significações “em si” e significações expressas.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align:justify;">Até agora temos preferentemente de significações que, como já disse o sentido normalmente relativo da palavra significação, são significações de expressões. Porém, não existe em si uma conexão necessária entre as unidades ideais, que de fato funcionam como significantes, e os signos a que estão unidas, isto é, mediante os quais se realizam na vida da alma humana. Não podemos, pois, afirmar tão pouco que todas as unidades ideais dessa espécie sejam significações expressas. Cada caso de nova formação que nunca antes fora realizada. Assim como os números – no sentido ideal pressuposto pela aritmética – não ascem e perecem com o ato de enumerar; assim como, por tanto, a série infinita dos números representa um conjunto de objetos gerais objetivamente fixo, rigorosamente delimitado por uma lei ideal, assim também sucede com as unidades ideais, puramente lógicas, os conceitos, as proposições, as verdades, em suma, as significações lógicas. Estas formam um conjunto – ideal e cerrado – de objetos genéricos, a dos quais lhes é acidental o ser pensados e expressados. Há, pois,  incontáveis significações que no sentido corrente relativo da palavra são significações meramente possíveis, não chegando nunca à expressão e incluso não podendo chegar nunca à expressão, a causa das limitações das forças cognitivas no homem.</p>
<p><strong>HUSSERL, Edmund. Investigaciones lógicas. Alianza Editorial. pp. 291</strong></p>
<p><strong>Tradução: Paulo Abe</strong></p>
<p><sub> </sub></p>
Posted in Fenomenologia, Husserl Tagged: Em si, Fenomenologia, Husserl, Ideal, Lógica, Significação <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/projetophronesis.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/projetophronesis.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/projetophronesis.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/projetophronesis.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/projetophronesis.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/projetophronesis.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/projetophronesis.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/projetophronesis.wordpress.com/1420/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/projetophronesis.wordpress.com/1420/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/projetophronesis.wordpress.com/1420/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=projetophronesis.wordpress.com&blog=5218997&post=1420&subd=projetophronesis&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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